O coletivo paraense atua pela inclusão digital de jovens e adultos das periferias, fortalecendo a autoestima, promovendo empregabilidade e inovação social
A Amazônia Digital é um coletivo que apoia e capacita pessoas com dificuldades no uso da tecnologia, atuando no combate ao analfabetismo digital através da educação tecnológica e da inclusão digital.
O projeto nasceu no bairro periférico Águas Lindas, em Ananindeua, no Pará. A iniciativa é itinerante e funciona por meio de parcerias com instituições que cedem espaços físicos para a realização dos cursos.
Apesar de recente, foi fundado no início de 2025, o projeto já vem construindo uma trajetória consistente. Ele é fruto do programa Impulsoria, realizado pelo British Council Brasil, instituição que promove conexões e oportunidades entre o Reino Unido e diversos países.
A iniciativa contou também com parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Instituto Hator, organização que promove a inclusão social na Amazônia por meio de soluções educacionais inovadoras. Juntos, foram responsáveis pela capacitação de jovens, adultos e pessoas com deficiência participantes do projeto.
Inclusão digital para grupos vulneráveis
A ideia do Amazônia Digital surgiu após a participação de integrantes do coletivo em uma capacitação que formou instrutores comunitários com o objetivo de promover a inclusão digital em áreas periféricas. Assim, surgiu a percepção da necessidade de apoiar quem está à margem do mundo digital.
As ações são realizadas através de voluntariado e incluem:
- Cursos livres de educação tecnológica.
- Conteúdos sobre Pacote Office, redes sociais, empreendedorismo e vendas online.
- Método de teoria e prática: criação de currículo, perfis comerciais e páginas de divulgação e vendas online.
O público-alvo são jovens, Pessoas com Deficiências (PCDs), adultos a partir de 18 anos e pessoas da chamada “melhor idade”.
Por enquanto, o projeto não possui recursos próprios nem registro oficial e, por conta disso, ainda não consegue avançar na busca por parcerias com o setor público e privado para garantir uma estrutura mínima, como mesas, cadeiras, impressoras, computadores, notebooks e internet de boa qualidade.
Cassio Miranda, um dos fundadores e atual coordenador geral do projeto, afirma que, desde o início, o Amazônia Digital atendeu cerca de 98 pessoas e gerou um impacto positivo na autoestima dos alunos, principalmente entre os de idade mais avançada.
“O projeto contribuiu também para geração de renda, pois muitos conseguiram emprego ou passaram a divulgar seus produtos online”, diz.
Entre obstáculos e conquistas: o avanço do Amazônia Digital
Respondendo à Coluna da Neuza, Cássio relata que a falta de recursos financeiros, a dificuldade de deslocamento da equipe (formada por cinco pessoas que moram em bairros diferentes), as barreiras para conquistar credibilidade e parcerias, a internet precária (ou inexistente) e a escassez de computadores nas regiões ribeirinhas e até mesmo na própria metrópole de Belém são fatores que acabam atrasando o crescimento do projeto.
Mesmo assim, apesar de ter sido criado recentemente, o Amazônia Digital já comemora resultados importantes, entre eles:
- Alto aproveitamento e emissão de certificados.
- Um aluno desenvolveu um aplicativo para localizar pontos de venda de açaí no Pará.
- Representação nacional: Paula Moraes, integrante da equipe, viajou a São Paulo para representar o projeto no lançamento do relatório da pesquisa Next Generation, realizado pelo British Council.
“Esse reconhecimento fortalece nossa credibilidade e mostra que estamos no caminho certo”, completa Cassio Miranda.
Transformação social através da inclusão digital
A estudante de Ciências Sociais Paula Moraes, de 22 anos, conta que a equipe leva para a sala de aula tanto suas vivências profissionais quanto pessoais. “No projeto, sou gerente de políticas públicas. Atuo para compreender as dinâmicas do Amazônia Digital junto a ONGs e parcerias, além de atuar como monitora nas formações.”
“Buscamos trazer nossas vivências acadêmicas, profissionais e pessoais para formar outras pessoas. Aprendemos muito no Impulsoria, curso do Instituto Hator, e nosso objetivo é repassar esse conhecimento às nossas comunidades.”
Paula reforça que o voluntariado tem sido transformador: “ser voluntária neste projeto é muito interessante, especialmente por permitir incorporar essas experiências para dentro do trabalho e devolvê-las à comunidade. Assim, buscamos replicar o que vivenciamos na formação do programa Impulsoria, levando também a linguagem e a identidade da nossa cultura regional para o projeto.”
Já Suze Carla Jesus de Souza, de 48 anos, que trabalha na área de segurança privada, relata que o curso a ajudou a vencer o medo do mundo digital. “Minha maior dificuldade era o medo de não conseguir utilizar as ferramentas da era digital, como criar um e-mail ou fazer um currículo digital.”
“Porém, após participar do curso, aprendi muitas coisas: criar e-mail, desenvolver projetos e acessar conteúdos que ampliaram meu conhecimento sobre a Amazônia. Isso mudou minha vida, pois antes eu mal sabia mexer no meu celular. O curso só veio a somar e contribuir para o meu crescimento.”
Por fim, o atendente Flávio Ribeiro Dias, de 58 anos, conta que se inscreveu no curso para “buscar o conhecimento das ferramentas digitais para melhorar as condições de saúde, desenvolvimento turístico, da gastronomia e mobilidade de nossa cidade“.
“Esse foi o motivo para eu fazer o curso da Amazônia Digital e os benefícios foram muitos, pois abriu um leque de oportunidades para a criação de um projeto inicial de startup para proteção da natureza e da comunidade.”
O aplicativo idealizado por ele se chama Bamboo Bike e está em busca de incentivos e parcerias para ser disponibilizado à população. “Agora, minha maior dificuldade é tirar a ideia do papel, porque falta recurso financeiro e implementação. A proposta é transformar Belém na capital nacional da mobilidade urbana usando práticas mais sustentáveis de transporte”, explica.
Gostou? Saiba como apoiar!
Se simpatizou com o Amazônia Digital, é possível ajudar por meio de:
- Parcerias com espaços físicos
- Doações de computadores
- Apoio institucional e financeiro para registrar, expandir e manter o projeto
Para mais informações, entre em contato com Cássio MIranda pelo número 91 9 8426-1197
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A Coluna da Neuza faz parte do Lupa do Bem, projeto de Responsabilidade Social Corporativa da agência de comunicação Sherlock Communications.





