O mês de junho foi repleto de eventos culturais que também destacaram iniciativas sociais. Confira abaixo algumas delas
Junho foi um mês marcado por eventos e comemorações que destacaram iniciativas sociais e culturais no Rio de Janeiro. A Coluna da Neuza esteve presente em alguns desses momentos para registrar e compartilhar as vozes que impactam as comunidades.
As atividades começaram no dia 05 de julho com o 1º Encontro de Mídias Periféricas no Rio de Janeiro, realizado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). A atividade deu início a uma jornada de trocas, escutas e construção coletiva nos quatro estados de atuação do Território Midias Brasil: Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Entre os participantes estavam Claudia Santiago, professora, historiadora, jornalista, coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação e referência na comunicação contra-hegemônica. Em sua fala, destacou a importância das lutas, do papel das comunicadoras e comunicadores em seus territórios e os desafios para os próximos tempos.
Também participou Tatiana Lima, jornalista, PhD em comunicação, professora no Núcleo Piratininga de Comunicação (NP) e comunicadora popular do Território Mídias Brasil (RJ). Ela falou sobre o ecossistema das mídias e a importância de garantir sua sustentabilidade.
Representando a Fundação Banco do Brasil, uma das convidadas falou sobre as Tecnologias Sociais certificadas pela instituição e como elas atuam transformando diversas comunidades.
Na sequência, os jovens comunicadoras Paula Latge e Matheus Magalhães apresentaram a Tecnologia Social premiada em 2024 e compartilharam suas experiências com a prática que transforma realidades por meio de ações concretas desenvolvidas junto a adolescentes comunicadores em territórios periféricos.
Já as coordenadoras do Território Mídias Brasil, Ciça Figueira e Dad Matos, destacaram que a iniciativa tem o objetivo de fortalecer e dar voz às mídias periféricas, criando um espaço acolhedor de inspiração e abertura para novos caminhos na comunicação popular.
Michael Mota, 35 anos, produtor audiovisual, morador do Capão Redondo, periferia de São Paulo, afirmou que foi um orgulho participar parte do evento. Para ele, integrar o Território Mídias Brasil tem sido uma experiência extremamente positiva e prazerosa, pois se sente ouvido e reconhecido por quem é, sem precisar “criar personagens”, algo que, segundo ele, muitas pessoas negras são forçadas a fazer em determinados espaços.
Por fim, Silvana Reis, dirigente do Sindicato de Telecomunicações Rio, moradora da Taquara, Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, disse que o encontro foi enriquecedor, ampliou sua visão sobre a mídia das periferias e proporcionou conexões, redes e ideias que pretende aplicar em seu próprio território.

Educação como ferramenta de transformação social
Nos dias 13 e 14, aconteceu o Festival LED Luz na Educação, no Museu do Amanhã e no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, Rio de Janeiro. Esta foi a 4ª edição do evento que, segundo o G1, reuniu mais de 8 mil pessoas para discutir o futuro da educação no Brasil.
A ação, que acontece anualmente, é uma iniciativa social da TV Globo e da Fundação Roberto Marinho, em parceria com a Editora Globo e patrocínio da Fundação Bradesco. Seu objetivo é promover e reconhecer práticas transformadoras na área da educação.
Mas o Festival LED não celebra apenas o lado luminoso da educação, ele também se propõe a conectar o setor empresarial às demandas da sociedade civil, abrindo espaço para discussões sobre o futuro da educação e o impacto de novas tecnologias e ideias no campo educacional.
O professor, psicanalista e profissional da área de educação e projetos sociais Anderson Rodrigues, morador de Copacabana, oriundo da Baixada Fluminense, afirmou que foi em busca de atualização sobre novas tecnologias na educação, especialmente sobre inteligência artificial e como as comunidades periféricas estão lidando com esses desafios.
Luma, 16 anos anos, moradora de São Gonçalo, Zona Leste Fluminense, estudante do Ensino Médio, contou que participar do Festival LED foi uma experiência incrível e uma grande oportunidade.
Esta foi a segunda participação de Nívia Ribeiro, de Maricá. Ela assistiu a três palestras e duas oficinas, o que lhe trouxe bastante conhecimento, afirmou. Mediadora em uma escola pública, destacou o valor de poder ouvir grandes referências da educação e disse estar muito feliz por fazer parte do encontro.
Entre as participações de destaque estavam o Secretário Municipal de Educação, Regina Casé, Fafá de Belém, Eliana, Elisa Lucinda, Thalita Carauta, Rita Batista, Sandra Annenberg e as escritoras Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria) e Conceição Evaristo (Brasil), que discutiram educação e representatividade.
Foram 150 horas de conteúdo distribuídas em sete palcos, cinco estandes interativos e a participação de 230 palestrantes, tudo transmitido ao vivo gratuitamente pelo Globoplay e pelo Canal Futura.

Saberes, sabores e tradições que atravessam fronteiras
Já nos dias 21 e 22 de junho, o SESC Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, recebeu a 9ª edição do Rio Refugia, festival realizado em homenagem ao Dia Mundial do Refugiado (20/06). O evento é co-organizado pela ONG Abraço Cultural, SESC e Cáritas RJ.
Roberta, diretora da Abraço Cultural, explicou que a proposta é uma iniciativa social realizada anualmente, próxima ao Dia Mundial do Refugiado
“Neste festival, acontecem várias atividades como feira gastronômica, oficinas culturais, apresentações de dança, shows de música, além de oficinas de caligrafia árabe, turbantes e tranças africanas. Este ano, teve uma novidade que foi a oficina Pintando o Sul Global. É um momento especial para celebrar a força e a cultura de pessoas refugiadas, promovendo encontros, sabores e saberes novos para a comunidade.”
Luciana Queiroz, da Cáritas RJ, complementa que o Rio Refugia é um evento multicultural que valoriza os talentos de pessoas em situação de refúgio, oferecendo espaço para que compartilhem seus saberes e mostrem seus trabalhos em áreas como gastronomia, artesanato e arte, destacando que todos os produtos apresentados são feitos por pessoas refugiadas.
A refugiada do Benin Anitta é professora de francês na ONG e participou da oficina de turbantes, onde compartilhou aspectos culturais relacionados ao uso desse acessório.
Priscila Pereira, assistente social do SESC Rio, destaca que o Rio Refugia é fruto de um trabalho anual, que inclui ações educativas contra a xenofobia em escolas e apoio a empreendedores refugiados. Ela também ressaltou as capacitações e oficinas promovidas em parceria com o PARES Cáritas e a Abraço Cultural, voltadas a aprimorar as habilidades de vendas dos participantes.
Por fim, Aline, moradora do Andaraí, participa anualmente dos eventos culturais do SESC para conhecer outras culturas. Ela demonstrou interesse especial pelos turbantes, destacando que eles vão além da proteção aos cabelos, e elogiou a diversidade gastronômica apresentada durante o festival.
Todos esses acontecimentos, e tantos outros que marcaram o mês que passou, mostram que, quando há espaço para escuta, troca e respeito, é possível construir caminhos mais justos e humanos para todas as pessoas.





