De cursinho pré-vestibular a formação para cidadania, jovens protagonizam projetos de educação popular pela garantia de direitos
Reportagem escrita por Maíra Carvalho, Aline Louzano, Neuza Nascimento, Julia Paresque e Fabiana Rosa
Em 2019, um grupo de jovens do Complexo da Maré fundou o Seja Democracia, um curso gratuito de formação política com ideais progressistas. No mesmo ano, naquele mesmo território, conhecido como uma das maiores aglomerações de favelas do Rio de Janeiro, com 17 comunidades e 170 mil habitantes, outro jovem criou o pré-vestibular popular UniFavela, que oferece aulas preparatórias para ingressar no ensino superior e atua como centro de mobilização social.
Para além de apostarem na educação popular como principal caminho de defesa dos direitos, esses projetos têm em comum o fato de serem liderados por jovens pretos, periféricos e universitários, que dedicam seu tempo a um bem maior por meio da educação. Suas iniciativas refletem o trabalho das organizações da sociedade civil, que historicamente assumem funções essenciais na garantia de direitos em territórios onde o Estado falha ou não chega.
Assim, o momento em que surgiram também não foi mera coincidência: o Brasil havia acabado de eleger um presidente de extrema direita que dizia que o sistema de cotas raciais “reforçava o preconceito”.
Esse sistema vinha garantindo que jovens, assim como eles, formassem a primeira geração da família a ingressar no ensino universitário público e gratuito. Mesmo assim, discursos semelhantes, baseados na lógica liberal de pensar a vida em sociedade, começaram a ecoar dentro da favela em um dos países mais desiguais do mundo (em estudo recente, os economistas Frederico Nascimento Dutra, Priscila Kaiser Monteiro e Sérgio Gobetti, mostraram que cerca de um quarto da renda nacional está nas mãos de 1% da população. O levantamento também mostrou que os 20% mais ricos do Brasil detêm 60% da renda nacional).
Foi nesse contexto que a juventude beneficiada por políticas de inclusão decidiu arregaçar as mangas e retribuir à sociedade aquilo que lhe foi mais valioso: o acesso ao conhecimento. Com a escalada da extrema direita ao poder e o ataque sistemático à democracia, a noção dos direitos também entrou em disputa.
“Os candidatos da extrema direita anunciaram que iam resolver a questão da segurança pública e do emprego e renda. Esses discursos, ditos conservadores e autoritários, estavam tentando convencer as pessoas com promessas de direitos básicos. Não dá para achar que o povo votou nesses candidatos porque é alienado”, lembra o professor de geografia e coordenador do Seja Democracia, Cleber Ribeiro.
Desde então, as iniciativas de educação popular tornaram-se os principais espaços para promover a consciência cidadã e participação democrática entre os jovens. “A maioria dos estudantes que chegam no nosso pré-vestibular ainda hoje encontra dificuldades em se reconhecer racialmente. Isso é preocupante, porque o sistema de cotas é um dos principais mecanismos de acesso ao ensino superior, e muitos jovens sequer sabem que têm esse direito”, alerta o professor e fundador do pré-vestibular popular Unifavela, Laerte Breno.
“Por isso, o papel da nossa instituição é formar estudantes atentos, críticos e bem informados, não apenas para o vestibular, mas para a vida cidadã. Nossa perspectiva pedagógica trabalha muito o ‘eu’, no sentido de tomar consciência de si mesmo e do reconhecimento da pessoa sob aspectos éticos, raciais, de gênero e, principalmente, de território”, continua.

Na Unifavela, a disciplina Atualidades discute impactos locais, nacionais e internacionais. “Não necessariamente cai no Enem, mas é fundamental para o estudante entender as dinâmicas do mundo e reconhecer sua própria importância dentro dele”, explica o professor. Para estimular os estudantes, a instituição também adota estratégias de combate à evasão – as mães solo, por exemplo, recebem uma bolsa solidária.
Além disso, promove rodas de leitura e outras atividades sociais que relacionam o que foi aprendido em sala de aula com a própria vida no território. “Quando criamos condições reais para permanência, como acompanhamento individual, escuta atenta e apoio financeiro, vemos que o esforço vale a pena”, orgulha-se Laerte.
Produzindo utopias
Em 2025, o livro “O Impacto das Cotas: Duas décadas de ação afirmativa no ensino superior brasileiro”, organizado pelos sociólogos Luiz Augusto Campos e Márcia Lima, indicaria que o sistema de cotas ampliou consideravelmente o ingresso de pessoas negras, pardas e indígenas nas universidades do país: de 31,5% em 2001 para 52,4% em 2021. No mesmo período, a presença de alunos das classes D e E também saltou de 20% para 52%, evidenciando que a mudança era de fato necessária para reduzir a desigualdade no acesso ao ensino superior.
É com essa juventude que o Seja Democracia atua. Suas formações discutem temas como racismo, patriarcado, patrimonialismo e interseccionalidade. O objetivo é refletir sobre esses conceitos e, partir disso, construir caminhos para a ação coletiva pela defesa dos direitos.
“Desde as manifestações de junho de 2013, começamos a olhar para o histórico de mobilização de base territorial no Brasil e quando Bolsonaro foi eleito presidente, entendemos que era importante retomar aquele movimento. Mas retomar sob as novas bases do século XXI, que envolvem tecnologia e informação”, conta o professor e coordenador Cleber Ribeiro.
Os resultados têm sido promissores. O centro já mobilizou 60 grupos de jovens em todo o país, por meio de uma plataforma on-line e de uma rede de apoio de professores locais. O projeto mais recente impulsionou jornais comunitários e revistas em periferias urbanas do Rio de Janeiro e de Belém. Com a COP 30 se aproximando, o debate sobre mudanças climáticas se tornou pauta central.
A iniciativa também demonstra como a filantropia estratégica pode fortalecer projetos de base e ampliar a participação de jovens em debates urgentes para o país.
O professor comemora: além de conectar a população local com temas urgentes a partir da sua própria experiência, os informativos fortalecem o território ao viabilizar a entrada de jovens recém-formados no mercado de trabalho – todos foram remunerados por meio de bolsas da Fundação Heinrich Boll.
Por fim, o reconhecimento da população local sobre o processo de produção da notícia legitima a informação. “O jornal consegue trazer cada vez mais insumos em relação ao que o território precisa e isso orienta individualmente em quem votar nas próximas eleições. Essa consciência é fundamental para a ação”, observa Cleber.
Para o professor, a democracia representativa está passando por uma crise devido a sua “incapacidade de responder às demandas da maioria da população, que vive hoje nas periferias urbanas”. Ao mesmo tempo, os jovens desses territórios “estão cada vez mais ansiosos por novos arranjos, mais participativos, para solucionar questões do cotidiano”.

O Seja Democracia busca, portanto, colocar a periferia no centro da luta por direitos de uma população diversa e que historicamente nunca esteve no poder. “Esse grupo, que é massificado, deveria conseguir fazer parte do Estado, participar ativamente da sua organização e da construção das políticas públicas. Há uma grande necessidade de novas lógicas, novas formas de organização do espaço societário, e isso pode vir a partir das periferias. Então esse é um movimento mais de produção de utopias”, ressalta.
A iniciativa propõe assim a própria transformação do Estado Democrático de Direito. “Seguindo a Constituição de 1988, o Estado pode muito bem avançar sem corpos negros, sem mulheres no poder. Mas precisamos de meios para equalizar a distribuição de renda, e que isso não seja consumido pela lógica capitalista, de acúmulo de riqueza associado à degradação ambiental. O território não pode ser visto apenas como mercadoria”, defende Cleber.
Juventude engajada
Não muito longe dali, na periferia da região metropolitana do Rio, Eisla Vycent, uma jovem de Parada Morabi, Duque de Caxias, lidera o projeto Resgatando a Cidadania, na Escola Integral Mané Garrincha, em Magé. Por meio de uma pesquisa histórica da população de Magé e Duque de Caxias, Eisla mobiliza a juventude local. “Acredito que por meio desse conhecimento se amplia a percepção da realidade”, diz.
Seu ativismo começou cedo, aos 11 anos, no grêmio estudantil da escola. “Na época, não havia esse engajamento político, nem a noção sobre o papel do jovem na política brasileira, na escola e na comunidade. O grêmio estudantil passou a resgatar essa consciência, destacando a importância do voto, do posicionamento e da luta por direitos”, recorda-se.
A estudante de sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) também passou pela formação do Seja Democracia e segue o caminho dessa juventude engajada. “No território onde atuei, muitos jovens sequer tinham documentação e, na minha visão, a participação cidadã e democrática começa por aí. Sem documentos, a pessoa se torna invisível.”
Até hoje, a associação de estudantes continua sendo seu meio preferido de atuação, onde promove conversas sobre “o verdadeiro papel da juventude, a importância dos movimentos sociais e como a representação estudantil foi fundamental durante a ditadura militar”. Mas além disso, ela aposta nas redes sociais para alcançar pessoas de fora do seu território, compartilhando conteúdos sobre cidadania e política.
Eisla ainda criou um coletivo na UFF para debater sobre raça e cotas — ela foi aprovada em primeiro lugar por meio deste sistema. “Costumo provocar discussões com perguntas sobre a importância das cotas e a razão de ter tanta desinformação que leva o jovem negro e periférico a rejeitar esse direito.”
Para ela, a política que mais falha na periferia é a educacional, com ausência de espaços públicos, como conselhos e fóruns, para pensar o direito das crianças, adolescentes e jovens. “A periferia tem um enorme potencial, mas falta informação e autorreconhecimento. Em lugares como Duque de Caxias, muitas vezes a própria periferia não se enxerga como tal, e isso limita a construção de uma base democrática mais forte”, esclarece.
Sobre o papel da juventude na defesa da democracia, ela observa que ainda há muita dificuldade de acesso e compreensão do poder democrático. “A pandemia e a polarização política agravaram isso. Mesmo quando conquistamos espaços historicamente negados, enfrentamos o silenciamento e a invisibilidade.”
“Aprendi com Sueli Carneiro, no livro Dispositivo de Racialidade, que esse processo é estrutural: faz o jovem negro e periférico acreditar que aquele espaço não é dele. Isso explica por que muitos não se posicionam, mesmo em ambientes onde têm direito à voz. Ser jovem, negro, periférico, universitário, mulher ou LGBT no Brasil ainda é um grande desafio. A estrutura social define quem tem visibilidade e quem é silenciado. Romper com isso é uma construção difícil, mas necessária, e sigo nessa luta”, diz.

Educar para democracia
Hoje há diversas iniciativas de educação popular nas favelas e periferias do Rio de Janeiro. Um mapeamento feito pelo Tecendo Diálogos, um projeto de cooperação social da Fiocruz, feito em parceria com o Fórum de Pré-Vestibulares Populares do Rio de Janeiro e Fórum Favela Universidade, identificou 300 cursinhos comunitários na capital e região metropolitana.
O mapeamento. que evidencia o trabalho das organizações da sociedade civil na defesa do direito à educação, envolveu dez pesquisadores, que foram a campo entre 2021 e 2023 e colheram informações socioeconômicas desses espaços. De todos os pré-vestibulares mapeados, 130 responderam ao questionário. Essa era a prerrogativa para ter sua localização identificada na plataforma ViconSaga, onde é possível fazer uma busca georreferenciada.
No meio desse processo de mapeamento, o Fórum de Prés apresentou os dados à deputada Dani Monteiro (PSOL), contribuindo para a formulação da Lei Estadual nº. 9.548, sancionada em 2022. A lei instituiu o programa de incentivo aos cursos sociais, populares e comunitários do Rio de Janeiro e foi recebida como uma grande vitória tanto por estudantes quanto pelos professores.
“A maioria dos pré-vestibulares populares (PVP) está em imóveis cedidos, deixando-os em uma situação de vulnerabilidade. Então a lei fortalece a educação popular ao estipular que as escolas estaduais abram suas portas para estas iniciativas. Neste momento, a lei ainda está na fase do cumprimento, depende da direção das escolas e da secretaria de educação do Estado. Alguns já estão nas escolas, outros não. Mesmo assim, sua existência é um grande avanço”, aponta a professora e coordenadora do projeto Tecendo Diálogos, Taisa Falcão.
Para ela, os PVPs têm assumido cada vez mais um papel de responsabilidade social ao incentivar que seus estudantes e professores observem as demandas dos territórios e pensem em soluções por meio de políticas públicas. “Com isso, os PVPs acabam disputando o próprio modelo de sociedade, na luta por justiça social. Isso tem a ver com a forma que se produz ciência na universidade, transformada pelo ingresso de corpos periféricos, mas também a transformação da sociedade como um todo.”
Por isso, reforça Taisa, muitos PVPs desenvolvem um senso crítico com os estudantes ao mesmo tempo em que se preparam para o vestibular. “É preciso pensar na sociedade que nós vivemos hoje, extremamente desigual, porque senão eles vão entrar na universidade e rapidamente serão cooptados pela lógica do individualismo e da meritocracia. Isso não é interessante nem para os territórios de onde eles vêm, nem para a sociedade enquanto coletivo”, diz.

“Não basta entrar na universidade, é preciso permanecer e voltar”
O pré-vestibular popular Bom Pastor, em Belford Roxo, Baixada Fluminense, faz parte desse movimento. A iniciativa começou em 2017, um pouco antes do Seja Democracia e da UniFavela, mas segue a mesma dinâmica social. O coordenador, Cássios Clay, tem 23 anos, é estudante de pedagogia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), foi eleito Conselheiro Municipal da Igualdade Racial em 2022 e atua como ativista pela Educação e Juventudes na Baixada Fluminense.
Segundo ele, “não basta entrar na universidade, é preciso permanecer nela, se formar e voltar para fortalecer o território”, indicando que são iniciativas como o Bom Pastor que democratizam o conhecimento e impulsionam o desenvolvimento local. “Não nos limitamos à preparação acadêmica, também promovemos acesso à cultura e ao lazer, com visitas guiadas ao Circuito Patrimônio, Herança Africana e Aldeia Maracanã, entre outros espaços”, explica Cássios.
Com isso, o pré-vestibular busca conscientizar os jovens sobre direitos e privações. “Aqui, jovens crescem sem acesso a lazer, educação de qualidade, saneamento, segurança e moradia. Como podem ser o futuro da sociedade nessas condições? Eu consegui chegar até aqui, mas penso nos que não conseguem. O Bom Pastor é a resposta organizada da juventude contra essa ausência do Estado. É urgente olhar para a Baixada, para a juventude negra e periférica”, reivindica.
Para romper com esse estigma, o Bom Pastor incentiva a participação dos estudantes em conselhos municipais, audiências públicas, seminários de educação popular e outros espaços onde a democracia se constrói. “Essas atividades fazem o jovem entender que a cidadania tem que ser exercida na prática, ocupando espaços de decisão.”
O pré-vestibular também apoia os alunos na defesa dos direitos, transformando informação em possibilidade. Os alunos passam a saber que têm direito ao Auxílio Permanência Estudantil, ID jovem, bolsas em universidades públicas e estágios em órgãos públicos: são oportunidades que podem mudar trajetórias. “Eles se tornam conscientes dos caminhos que podem trilhar para seu desenvolvimento pessoal e profissional”, aponta o coordenador.

Bem viver
O Bom Pastor é fruto de uma parceria entre a UNEAFRO Brasil, o Núcleo Interdisciplinar para Desenvolvimento Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NIDES/UFRJ) e o Fórum Grita Baixada, organizações de base historicamente reconhecidas. O Fórum Grita Baixada, em especial, é fruto da mobilização social local no enfrentamento à violência. Com o passar do tempo, passou a engrossar o movimento pela defesa da democracia. “É fundamental para garantir uma cidade mais segura”, afirma o coordenador Adriano Araújo.
Mais veterano entre os projetos já citados, o Fórum Grita Baixada surgiu em 2012 para dar visibilidade à dura realidade da Baixada Fluminense, onde a morte de jovens pretos e pardos é frequentemente ignorada pela grande mídia. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, uma a cada três pessoas baleadas na Grande Rio são da Baixada, considerada uma das regiões periféricas mais populosas do Brasil, com 3,6 milhões de habitantes.
“Pessoas que antes não se sentiam valorizadas em sua militância hoje encontram um espaço no Fórum. Mães que tiveram filhos assassinados são convidadas pelo Ministério da Justiça e pelo Ministério da Igualdade Racial para compartilhar suas histórias”, diz Adriano. “O Fórum tem conseguido tornar mais visível essas dinâmicas. Alguns familiares têm relatado que se sentem mais respeitados na sua luta”, continua.
A violência gerada por conflitos entre facções criminosas e conflitos policiais é um tema constante que preocupa as iniciativas de educação popular nos territórios cariocas – somente em julho de 2025 foram registrados 222 tiroteios em toda região metropolitana e capital fluminense, indica o Instituto Fogo Cruzado.
Todas as lideranças ouvidas por esta reportagem concordam que para efetivar a democracia em territórios periféricos, antes é preciso gerar bem estar social e econômico, fortalecendo o acesso aos direitos, como saúde, educação, trabalho digno e segurança pública. A democracia, portanto, não é vista apenas como um sistema político, mas como uma estrutura que possibilita o bem viver.
Há tempos, estudiosos como Paulo Freire, Anísio Teixeira e Maria Victoria de Mesquita Benevides indicam que a ausência de uma formação cidadã reforça as desigualdades, fomenta injustiças e pode levar a uma verdadeira segregação. O aumento da violência poderia ser considerada assim o primeiro sintoma de sociedades autoritárias e antidemocráticas. Por outro lado, a educação popular, vista como uma educação de todos para a vida comum, é o principal instrumento da democracia.
O coordenador do Fórum Grita Baixada vê isso na prática. “Como a violência é um fenômeno complexo que envolve educação, trabalho, emprego, renda, racismo, e uma série de aspectos, começamos a trabalhar com esses temas por meio da educação popular”, comenta Adriano. A organização realiza formações políticas, faz denúncias de gestões públicas antidemocráticas e organiza passeatas e audiências públicas.
“Buscamos transformar a democracia representativa em uma experiência mais direta e inclusiva para a população. Temos uma discussão muito grande sobre a responsabilidade dos gestores públicos. Muitas vezes, somos chamados para conduzir debates em época de eleições, para pensar projetos para a cidade, uma cidade que queremos, além da participação dos cidadãos na vida pública”, explica.

Adriano observa que o crescimento de discursos de direita e extrema-direita na periferia ocorre em momentos de crise econômica e social. “Discursos como ‘bandido bom é bandido morto’ são adotados até pelas classes populares, que muitas vezes são vítimas da violência”, alerta. Ao mesmo tempo, ele tem percebido um interesse cada vez maior dos jovens nos projetos de cultura e arte oferecidos pelo Fórum.
“A adesão ainda é baixa, devido à precariedade e à instabilidade da vida da juventude, marcada por desemprego e conflitos familiares”, aponta. Mesmo assim, ele aposta nessas iniciativas para estimular os jovens a “incidir sobre os governos de forma que representem de fato os interesses da população”.
Não resta dúvida de que o papel da juventude é central nesse processo. Como disse o coordenador do PVP Bom Pastor, Cássios Clay: “o jovem tem essa força de sonhar com um mundo mais justo e de inspirar outros a agirem. Eles conseguem se comunicar, mobilizar e engajar, não só pelo voto, mas também divulgando direitos. Isso pode ser feito tanto no TikTok, no Instagram e no WhatsApp, como nas rodas de slam, no rap, nos palcos e nas praças.”
* A reportagem entrou em contato com o Ministério Público e a Defensoria Pública do Rio de Janeiro para saber quais medidas estão sendo adotadas no enfrentamento da violência que assola o estado e prejudica a juventude, assim como quais ações esses órgãos têm para a defesa da democracia. Até o momento, não obtivemos respostas. Caso as instituições se manifestem, o texto será atualizado.





