Projeto nasceu a partir de um curso da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e atua na capacitação de mulheres em situação de vulnerabilidade, fortalecendo o empreendedorismo feminino
Em 2010, determinada a empreender e impulsionar o empreendedorismo feminino, Ana Fontes foi selecionada para o Programa 10 Mil Mulheres, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Consciente de que nem todas as mulheres teriam acesso àquela oportunidade, criou um blog e um grupo no Facebook para compartilhar o que estava aprendendo, utilizando uma linguagem simples e acessível.
Temas como medos, dúvidas e os desafios de ser empresária apareciam com frequência nas conversas. A partir dessa escuta, Ana decidiu criar a Rede Mulher Empreendedora (RME), sem imaginar o impacto social que a iniciativa teria na vida de milhares de mulheres. “A organização se destaca por oferecer serviços a empresas que compartilham a crença no empreendedorismo feminino”, explica.
Atualmente, a RME desenvolve programas, projetos e eventos voltados à capacitação, conexão e apoio de mulheres que desejam empreender ou fortalecer seus negócios. As formações abrangem áreas como finanças, marketing, liderança e gestão. Ao longo de quase 15 anos de atuação, a organização já impactou mais de 15 milhões de mulheres, direta e indiretamente.
“Ainda possuímos um programa de mentoria que apoia as empreendedoras com orientações e dicas profissionais para seus negócios”, acrescenta Ana.
A instituição também atua em parceria com entidades financeiras para facilitar o acesso a financiamentos e microcréditos voltados a mulheres. Além disso, promove debates, contribui para a formulação de políticas públicas, amplia a visibilidade de negócios liderados por mulheres ao conectá-las a clientes e parceiros e desenvolve programas que aproximam empreendedoras de grandes empresas.
Para ampliar o alcance do conhecimento, a instituição organiza o Festival RME, que contribui para o crescimento dos negócios por meio de palestras, mentorias especializadas e oportunidades de networking.
Mensalmente, também são realizados os Cafés com Empreendedoras, encontros que combinam palestras temáticas e troca de experiências. As capacitações acontecem tanto no formato online quanto presencial, em diversas cidades do país. As informações sobre cursos, modalidades e vagas são divulgadas pelas redes sociais da organização.

Impacto social do empreendedorismo feminino
De acordo com o Painel de Informações do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, havia 642.892 mulheres em postos de trabalho no Brasil em 2023, representando uma queda de 32%.
Em contrapartida, a pesquisa Empreendedorismo Feminino 2022, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), apontou um aumento de 30% no número de mulheres empreendedoras entre 2021 e 2022. Ao todo, são 10,3 milhões de mulheres donas do próprio negócio, o maior número registrado desde o início do levantamento, em 2016.
O estudo revelou ainda que 34,4% das empreendedoras atuam no setor de serviços. Os estados com maior proporção de mulheres à frente de negócios são Ceará (38%), São Paulo (37%) e Goiás (36%) e Rio de Janeiro (30%).
Atenta às dificuldades enfrentadas por mulheres que decidem empreender, em 2024 a Rede Mulher Empreendedora firmou um acordo de cooperação com o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP). “O programa se chama Ela Pode e oferece capacitação, mentorias e, posteriormente, capital semente”, explica Ana.
“Esse acordo visa atender, especificamente, a região Nordeste e mulheres em situação de vulnerabilidade que buscaram apoio nos aparelhos públicos vinculados ao Ministério”, complementa.

Ação de solidariedade que transforma vidas
A solidariedade é uma marca da Rede Mulher Empreendedora. Ao longo de sua trajetória, diversas histórias simbolizam esse impacto, como a de uma aluna de Belém (PA), que recebeu uma doação e conseguiu comprar um carrinho de sorvete para vender geladinhos.
“Também tivemos a Ana, que começou a fazer brigadeiros para complementar a renda e, com o nosso apoio, passou a produzir brigadeiros gourmet, alcançando tanta demanda que não dava conta de atendê-las”, relata.
As participantes também destacam a importância das conexões criadas pela instituição. “Buscando uma oportunidade de investir no meu negócio, me inscrevi no Venda Vencedora. O treinamento foi muito enriquecedor. A troca de conhecimentos e ouvir as dificuldades de outras empreendedoras me fez perceber que não estou sozinha”, contou a artesã Luciana Domingos Nascimento.
Já Denise Rocha, moradora da Ilha das Onças, no Pará, participou do programa Ela Pode e, posteriormente, retornou à instituição como professora de português. “Desta vez, o programa foi ministrado para moradoras ribeirinhas, incentivando-as a se tornarem futuras empreendedoras, mulheres de garra e força”, afirma.
Saiba como apoiar a Rede Mulher Empreendedora
A RME aceita mulheres voluntárias interessadas em compartilhar seus conhecimentos como mentoras ou palestrantes em eventos. Para participar, é necessário realizar um cadastro.
Já as doações podem ser feitas diretamente ao Instituto RME clicando aqui. Para mais informações, acesse o site oficial e acompanhe o projeto pelas redes sociais no Facebook, Instagram e LinkedIn, além do grupo Empreendedoras RME no Facebook.





