Pensando no que o mercado de trabalho precisava, na demanda ociosa e na gama de mulheres desempregadas, viu ali a oportunidade de fazer a diferença. “Havia muita gente procurando profissionais capacitados e não encontrava. Então, por que não colocá-las na área?”, perguntou-se Bia.
Nos 18 anos do Mulher em Construção, a estimativa é que cerca de 7 mil mulheres tenham sido impactadas diretamente. O carro-chefe é o programa Cimento e Batom, no qual empresas patrocinam turmas para receber formação técnica e prática em diversas modalidades da construção civil, como pintura e reparo de parede, gesso, hidráulica e elétrica. Além disso, elas recebem suporte emocional e comportamental.
Já o Divas na Construção Civil busca capacitar, qualificar e amparar mulheres que estão fora do mercado de trabalho e estão em busca de recolocação. Neste projeto, é escolhida a casa de uma ex-aluna para a reforma ao mesmo tempo em que as novas participantes são ensinadas.
Inicialmente, o instituto atuava apenas no Rio Grande do Sul, mas recentemente expandiu sua atuação para o estado de São Paulo.
Mulheres na construção civil e o seu pioneirismo
Devido ao contexto familiar em que vivem, algumas mulheres possuem conhecimentos básicos como, por exemplo, a troca de chuveiro ou de torneira. A partir disso, são ministradas aulas práticas e teóricas. “Assim, elas compreendem toda a linha de produção da construção civil”.
Os temas abordados nas oficinas dependem da necessidade das empresas parceiras. Em média, são atendidas 20 alunas por turma e todos os materiais necessários são fornecidos.
Após o curso, as alunas são acompanhadas de perto pela organização. “Monitoramos para ver onde elas estão, o que precisam, quanto estão ganhando, se aumentou a renda familiar e como está a situação dentro de casa”, explica Bia.
Além de adquirirem um novo conhecimento, o objetivo da instituição é que elas sejam contratadas ao final do curso. “Entre 80% e 90% das nossas alunas já saem empregadas. Estamos trabalhando cada vez mais para que as empresas entendam que esse é o verdadeiro movimento transformador: não é só capacitar, mas contratá-las”, diz Bia.
O número de vagas sempre é insuficiente para a demanda. “Em Porto Alegre, abrimos 20 vagas para o curso de restauro e tivemos cerca de 1.500 inscrições.” Além disso, o Mulher em Construção orgulha-se de ser pioneiro na formação de mulheres gasistas no estado de São Paulo, em parceria com a empresa Comgá.
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Vidas transformadas
Bia conta que o processo de transformação dessas mulheres é visível tanto física quanto emocionalmente. “Você vê uma mudança de pensamento, elas ficam mais seguras. Muitas vêm de uma situação em que a primeira coisa que fazem quando recebem é ir ao mercado comprar comida.”
“Outras contam que começaram a pagar curso de inglês para os filhos. Algumas também iniciaram a faculdade e chegaram aqui com o ensino médio incompleto. Então, você vê essa crescente e não tem como não ficar feliz de ver que estamos alcançando o impacto que nos propomos”.
Desafios e avanços
Os estereótipos e o machismo ainda são muito comuns na área da construção civil e esse é um dos maiores desafios enfrentados. “Por exemplo, faltam banheiros femininos nas obras. E é muito complicado, porque as mulheres precisam caminhar muito; quando estão menstruadas, não conseguem trocar o absorvente”.
Por outro lado, também há conquistas. Segundo Bia, alguns homens modificam o comportamento dentro da obra por causa da presença feminina. “Eles mudam a linguagem, o comportamento, no trabalho em equipe e até mesmo no cuidado da saúde”.
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Regenera Rio Grande do Sul
O Mulher em Construção nasceu em Canoas, uma das cidades mais atingidas pelas enchentes históricas do Rio Grande do Sul. Por isso, a instituição criou o projeto Regenera RS, com o objetivo de capacitar homens e mulheres primeiro para recuperarem suas casas e depois para entrarem no mercado de trabalho.
Além disso, foram mapeados cerca de 10 participantes, moradoras de Canoas que perderam tudo, para ajudá-las nesse recomeço com doações de móveis, roupas e ferramentas de trabalho.
Saiba como apoiar o Mulher em Construção
O Mulher em Construção aceita voluntários e doações de empresas e pessoas físicas. Não há limite de idade para se inscrever nos cursos, basta ser maior de 18 anos. Para mais informações, visite o site, o Instagram, o LinkedIn e o Facebook.