Fundação foi criada por um grupo interdisciplinar de profissionais com interesses diferentes que acreditam no desenvolvimento social, inclusivo, equitativo e sustentável. As mulheres pescadoras, coletoras, beneficiadoras de mariscos e algas recebem apoio da organização com diversas ações e iniciativas nas regiões do país
Por Sandra Barrueto – Fotos: Paula Farías
A pesca é uma atividade econômica de grande relevância para o Chile, que tem 6.450 km de litoral. Ela, no entanto, é afetada pela perda persistente e crescente da biodiversidade marinha e pelo esgotamento dos recursos, impactando de maneira significativa pequenas comunidades litorâneas, sendo mais forte sob uma perspectiva de gênero.
As mulheres pescadoras desempenham um papel fundamental na indústria, dando valor a cada produto com a sua experiência e dedicação no cuidado dos recursos do seu litoral. Conscientes da importância do meio ambiente, respeitam las espécies e o seu hábitat, com ações como a reutilização dos recursos marinhos de forma sustentável, favorecendo a preservação dos ecossistemas locais.
A Fundación Mujeres de Mar (Fundação Mulheres do Mar, em espanhol), localizada na região de Valparaíso (centro), foi criada por um grupo interdisciplinar de profissionais com interesses diferentes que acreditam no desenvolvimento social, inclusivo, equitativo e sustentável. O objetivo do grupo é ser agente da mudança para mulheres que trabalham e atuam em diferentes ofícios pesqueiros, como pescadoras, coletoras de mariscos e algas, costureiras de redes, processadoras, cozinheiras, defumadoras, comerciantes e criadoras em cativeiro. As atividades são feitas principalmente em Valparaíso e nas regiões vizinhas de Libertador Bernardo O’Higgins e Maule.

“Acreditamos que as capacidades, saberes e a experiências das mulheres do mar potencializam os sistemas socioecológicos, a sua cultura e um desenvolvimento econômico sustentável, fomentando as economias locais e o bem-estar das comunidades. Queremos promover a conservação tanto da biodiversidade quanto do patrimônio cultural e histórico, através de projetos, programas de trabalho e atividades considerando suas necessidades, pontos fortes e problemas”, afirma a coordenadora de projetos Ignacia Borgeaud Núñez.
“Criamos estudos e iniciativas para dar visibilidade à diversidade de funções feitas por essas mulheres vinculadas à pesca artesanal no Chile, o seu conhecimento do ecossistema marinho, e os desafios que enfrentam em um setor historicamente dominado por homens.”
Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura”, as mulheres representam a metade da força de trabalho global nos setores pesqueiro e aquícola. Apesar dessa presença significativa, só ocupam 15% das funções de captura, enquanto representam 90% das pessoas que ocupam postos de processamento.
“As mulheres não só desempenham papéis fundamentais na cadeia de valor da pesca artesanal e da aquicultura, colaborando na captura, no processamento e na comercialização de recursos, como também são as principais responsáveis pelas tarefas domésticas, pelo cuidado das suas famílias e pela criação dos filhos. Embora a sua contribuição não tenha preço, o trabalho das mulheres do mar no Chile muitas vezes não é reconhecido como merece. Por isso, para a nossa fundação, é fundamental dar visibilidade ao seu trabalho e o lugar que elas merecem”, afirma Magdalena Ceballos, coordenadora de projetos.
A maior parte dos peixes e frutos do mar pescados e coletados pelas mulheres é destinada à alimentação familiar ou à venda local –diferentemente dos homens, cuja atividade é distribuída em uma escala maior. Ao mesmo tempo, muitas delas participam de atividades de conservação e monitoramento dos recursos pesqueiros, mostrando a sua versatilidade e comprometimento com a indústria.


Protetoras do patrimônio biocultural
Elas não são só criadoras, mas também as protetoras da rica diversidade de patrimônios, saberes e identidades territoriais. São um pilar ativo na transmissão do conhecimento e das práticas socioecológicas tradicionais na pesca e sua biodiversidade. Assumiram a responsabilidade de transmitir de geração em geração os conhecimentos e tradições associadas à pesca e ao mar.
A pesca artesanal no Chile não representa só riqueza cultural em técnicas e saberes, ou a utilização de redes adequadas e o conhecimento das zonas propícias para a extração, mas também é a memória coletiva das mulheres e como são transmitidas essas informações às suas comunidades. Com a prática e a transmissão oral, preservaram as técnicas tradicionais da pesca, mostrando uma convivência harmônica com o patrimônio biocultural.
“Embora seja cada vez mais visível a participação das mulheres na pesca artesanal e na aquicultura, ainda é preciso ter informações mais detalhadas sobre a sua valiosa contribuição para essas atividades. Essa falta de dados continua a ser um obstáculo para avançar tanto socialmente quanto ecologicamente. Por isso, precisamos de políticas públicas e leis que promovam a igualdade e a equidade de género, reconhecendo o papel fundamental que as mulheres desempenham nesses setores”, afirma Borgeaud.
Essas medidas são essenciais para garantir uma gestão sustentável e equitativa dos recursos pesqueiros, ao mesmo tempo em que se tornam um apoio claro ao desenvolvimento e à sustentabilidade do patrimônio biocultural nos territórios marinhos.
Como apoiar
Mujeres de Mar faz o seu trabalho graças a doações e alianças institucionais. Para ajudar o projeto, entre em contato com a fundação pelo Instagram @mujeresdemarcl ou pelo e-mail hola@mujeresdemar.cl





