Com 15 anos de história, projeto de Buenos Aires tem equipe multidisciplinar e recebe mais de 60 pessoas por semana
Por Paula Galinsky
“Nossos filhos sentiam falta de um espaço de desenvolvimento pessoal para além das terapias”, afirma Soledad Zangroniz, presidenta e uma das criadoras da Fundación Brincar por un Autismo Feliz (“Fundação Brincar por um Autismo Feliz”, em Português).
A ONG nasceu em 2010 por iniciativa de Soledad e de outra mãe, Carina Morillo, que queriam melhorar a qualidade de vida de seus filhos. Hoje, a Brincar virou referência no tema e trabalha em prol da autonomia para a vida adulta e da inclusão trabalhista de pessoas com autismo.
Há três anos, a Brincar prioriza a criação de ferramentas concretas para que os adolescentes e adultos com autismo possam se desenvolver com independência e ter acesso ao mercado de trabalho. “Sentimos que a partir dos 18 anos há muito poucos lugares de inclusão social e profissional”, diz Zangroniz.
A sede da Fundación Brincar fica em Villa Crespo, bairro da cidade de Buenos Aires, e é formada por uma equipe de 35 pessoas, entre mentores de oficinas, docentes, psicólogos e acompanhantes terapêuticos.


Suas oficinas são espaços de aprendizagem e diversão. Mais de 60 pessoas participam semanalmente das atividades, que incluem arte, música, teatro, habilidades sociais, esportes, culinária saudável, encadernação e capacitação para diferentes ofícios.
A fundação também oferece aulas de gerenciamento e participação nas quais oferecem capacitação em educação financeira, organização de agendas e planejamento do dia para os seus participantes. Aos sábados tem atividades recreativas. “Além de aprender, no Brincar as crianças geram vínculos e senso de pertencimento“, ressalta Soledad.
Para preparar a trajetória rumo a uma inserção real no mercado de trabalho, a ONG trabalha também com empresas. Realiza palestras abordando temas como a neurodiversidade e o emprego. Também prestam assessoria de diversidade, equidade e inclusão (DEI) e dão apoio a organizações interessadas em recrutar pessoas com autismo para as suas equipes.
Por outro lado, a fundação também dá apoio às famílias: organiza encontros presenciais gratuitos e tem um espaço permanente para dúvidas. Enquanto isso, oferece um programa de formação profissional com 30 cursos online, alguns gratuitos e outros pagos, dirigidos tanto a profissionais como a familiares e o público em geral.
O impacto da ONG é visto em histórias como a de Fernanda Fabbiano e seu filho, diagnosticado com autismo aos 3 anos. “Encontrei a Fundación Brincar pela internet, meu filho começou numa oficina de arte gratuita aos 5 anos, que funcionava aos sábados. Saía feliz porque o entendiam e ofereciam o tempo e o espaço que ele precisava. Hoje tem 16 anos e continuamos ligados à instituição.”
Fernanda afirma que não só as crianças se sentem entendidas. “Eu comecei a participar de encontros familiares nos quais me sentia e continuo me sentindo acompanhada por pares. Conheci pessoas que já tinham feito o mesmo caminho que eu e foram me guiando”.
Com os anos, seu filho fez oficinas de música, yoga e outras iniciativas organizadas pela fundação. Fernanda, que trabalha num banco, hoje coordena encontros de familiares e promove ações de conscientização no âmbito trabalhista.
“Um dos meus maiores temores é o que vai acontecer com meu filho quando ele crescer. As pessoas com autismo têm muito a dar e nas empresas ainda existem barreiras por medo do diferente“, disse. “Não se trata de criar um trabalho para eles, e sim de oferecer a oportunidade para que mostrem do que são capazes“.
Como ajudar?
A Fundación Brincar se sustenta com as doações de aliados, pessoas, empresas, cupons de doação, campanhas de arrecadação e a venda de cursos online. Atualmente não recebe apoio estatal e precisa de fundos para conceder mais bolsas, somar atividades e acompanhar novas organizações interessadas em incluir pessoas com autismo.
Quem quiser ajudar pode acessar www.brincar.org.ar ou enviar um e-mail para info@brincar.org.ar.





