Sob a liderança de Jefferson Alves, a instituição, que nasceu da cultura, segue unindo educação, solidariedade e sustentabilidade para transformar a vida de quem vive no Morro do Telégrafo
Há lugares no Rio de Janeiro que respiram história, cultura e resistência, e a Mangueira é um deles. Situada na Zona Norte, a comunidade é conhecida mundialmente por sua escola de samba, mas também é um território de lutas e sonhos, com uma poderosa trajetória de organizações sociais e culturais.
Entre elas está a ONG África, que há quase quatro décadas atua no Morro do Telégrafo, um dos pontos mais altos e de acesso mais difícil da Mangueira. É dali, porém, que nascem as sementes de transformação que se espalham por toda a comunidade.
A instituição, que se tornou um polo de oportunidades ao oferecer educação, esporte, cultura e solidariedade para centenas de moradores, já impactou mais de três mil pessoas, direta e indiretamente.
Para esta matéria, conversei com Jefferson Alves, atual presidente da ONG, sobre o passado, os desafios e o futuro dessa iniciativa que, há décadas, transforma vidas na Mangueira. Confira!
Coluna da Neuza: Jefferson, como começou a sua relação com a ONG África?
Jefferson Alves: Sou presidente dessa iniciativa há cerca de dez anos. Antes disso, fui um jovem atendido por um trabalho social aqui na Mangueira e essa vivência mudou completamente a minha vida. A ONG África tem quase 40 anos de atuação.
Ela começou com atividades culturais e, hoje, atua em várias áreas: educação, esporte, capoeira, grafite e dança. Procuramos estar presente em todos os espaços onde a comunidade precisa. Atualmente atendemos cerca de 400 pessoas no coração da Mangueira. O nosso trabalho é criar oportunidades, fortalecer vínculos e oferecer esperança.
Coluna da Neuza: Durante a pandemia, muitas ONGs tiveram um papel essencial. Como foi esse período para vocês?
Jefferson Alves: Foi um tempo muito difícil, mas também de muito aprendizado. A comunidade ficou com carência de trabalho, de renda e de alimentos, então nós não paramos. Fomos buscar doações, parcerias e conseguimos arrecadar e distribuir mais de três mil cestas básicas.
A pandemia uniu ainda mais a ONG à comunidade. Foi ali que a instituição se fortaleceu e passou a ser reconhecida e abraçada pelos moradores.
Coluna da Neuza: Imagino que manter esse tipo de trabalho não seja fácil. Quais são os maiores desafios hoje?
Jefferson Alves: Os desafios são diários. Cada vez que abrimos a porta da ONG, surge uma nova demanda. Falta apoio do poder público, faltam recursos financeiros e políticas mais consistentes para o território.
A Mangueira ainda é um local bem pouco assistido, apesar da fama que a escola trás, e essa é a nossa luta constante: queremos mais presença do governo, seja na saúde, na cultura, no saneamento ou na educação. Muitas vezes, nós mesmos fazemos o papel que o poder público deveria cumprir.
Coluna da Neuza: E sobre as parcerias com as universidades? Como elas funcionam?
Jefferson Alves: Temos uma parceria muito importante com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que fica bem próxima da comunidade. Ela nos ajuda com suporte acadêmico, técnico e humano nas ações que realizamos. Também temos parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas a UERJestá mais presente no nosso dia a dia.
Essas parcerias são fundamentais. Elas ampliam nossa visão, ajudam a pensar soluções práticas e fortalecem o diálogo entre a universidade e a favela.
Coluna da Neuza: E o futuro da ONG? Já existe um planejamento?
Jefferson Alves: Sim. Trabalhamos com planejamentos anuais e bianuais. A meta é ampliar nossas ações, trazendo novos parceiros e aumentando a oferta de serviços nas áreas de saúde, educação e esporte. Em parceria com a UERJ, estamos propondo uma Horta Comunitária, pois temos uma cozinha comunitária também.
A ideia é darmos oficinas de compostagem, doar a produção da horta para a comunidade e gerar insumos para a cozinha e para os moradores poderem ter suas hortas nos quintais de casa e nas janelas de casa, pois queremos também desenvolver hortas suspensas.
A ideia é continuarmos crescendo, mas sem perder nossa essência comunitária e colaborativa.
Coluna da Neuza: Quais são as principais áreas de atuação da ONG África hoje?
Jefferson Alves: Nossa atuação é bem ampla. Trabalhamos com educação, defesa de direitos, capacitação profissional, esporte, lazer, recreação, educação ambiental, geração de renda, cultura, saúde e alimentação.
Coluna da Neuza: Para fechar, Jefferson, o que mais você gostaria de dizer?
Jefferson Alves: Que o nosso trabalho é feito por muitas mãos. Todos os dias somos desafiados, mas seguimos com fé e parceria. O sonho é ver a Mangueira crescendo com dignidade, oportunidades e respeito. É isso que nos move.
Saiba como apoiar a ONG África
Ouvir Jefferson foi inspirador. Saí da entrevista com a certeza de que o trabalho social é a verdadeira ponte entre a carência e a esperança.
A ONG África é uma prova de que a transformação acontece quando alguém decide agir e Jefferson é a prova viva de que quem foi acolhido um dia pode se tornar o acolhedor de muitos.
Para apoiar essa iniciativa, entre em contato com Jeferson no número (21) 9 8829-8223 ou faça um pix para 08.748.655/0001-54
Siga a iniciativa no Instagram.
Para mais informações acesse o site da instituição
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