Profissão Pet leva capacitação e renda a favelas e periferias

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O Profissão Pet é um programa inovador que oferece formação híbrida e oportunidades de empreendedorismo para moradores de favelas e periferias, priorizando mulheres e LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade, promovendo geração de renda e transformação social

Criado para transformar vidas por meio do cuidado com os animais, o Profissão Pet é um programa de capacitação que abre caminhos para moradores de favelas e periferias, com prioridade para mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade. A iniciativa oferece formação híbrida, vivências práticas em empresas do setor pet e acesso a uma plataforma com conteúdos, mentorias e fóruns. 

O projeto foi idealizado por Saulo Eduardo (produção executiva) e Patrick Corrêa (comunicação e marketing), fundadores do Instituto Impacto Criativo, uma organização social dedicada à inovação educativa e inclusão produtiva. A organização surgiu em 2020 como um coletivo independente, e o Profissão Pet teve sua primeira edição em 2024.

Oportunidade de trabalho para pessoas vulneráveis

O Profissão Pet capacita tecnicamente e emocionalmente moradores de favelas e periferias para atuarem como pet sitters (cuidadores de pets a domicílio), dog walkers (passeadores) e banhistas, abrindo caminhos para o trabalho e o empreendedorismo no mercado pet.

A ideia surgiu da escuta ativa nas comunidades e da vivência dos idealizadores com projetos voltados à capacitação para a autonomia econômica de pessoas em situação de vulnerabilidade. 

“Identificamos uma oportunidade concreta e estratégica de inserção produtiva no setor pet”, explica Patrick Corrêa. Segundo ele, pesquisas revelaram que o mercado pet brasileiro movimentou mais de R$70 bilhões em 2024, mantendo uma taxa média de crescimento anual acima de 13% nos últimos anos.

Patrick destaca ainda que esse é um setor em expansão, com forte aceitação social, baixa exigência de escolaridade formal e ampla abertura para atuação autônoma e empreendedora, características ideais para públicos historicamente excluídos do mercado de trabalho tradicional.

Adriano Ribeiro, explicou que o Profissão Pet estabelece uma relação profunda com as comunidades onde passa, mantendo articulações com lideranças e organizações comunitárias, o que ajuda na mobilização.

O Profissão Pet é itinerante e já passou por Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, além de bairros das zonas Norte, Oeste, Sul e Central do Rio de Janeiro, e também pela Região dos Lagos. A cada nova edição, o projeto se adapta às realidades locais e amplia sua atuação de acordo com as demandas dos territórios.

Foto: reprodução

Profissão Pet: diversidade territorial e social

Na primeira edição, o Profissão Pet teve 498 pessoas inscritas. Destas, 390 participaram ativamente da comunidade de aprendizagem e 100 concluíram a formação, recebendo certificação. Entre os participantes, 67,8% eram pessoas negras, 83% desempregadas e 55,6% tinham ensino médio completo. O curso dura em média três meses.

O impacto na vida das beneficiárias vai além dos números. Até agora, 19% dos formados já estão atuando profissionalmente no setor pet e 5% abriram seus próprios negócios. Além da geração de renda, também foi observado o fortalecimento emocional, maior engajamento comunitário e aumento da autoestima dos alunos. 

De acordo com Paula Nogueira, da equipe de comunicação e marketing, os principais desafios do projeto hoje são garantir a sustentabilidade e a continuidade das formações, obter apoio financeiro para bolsas, materiais e estrutura das atividades presenciais, além de enfrentar os obstáculos logísticos de atender diferentes territórios, especialmente os que têm infraestrutura limitada.

Apesar dos desafios, a iniciativa também acumula conquistas importantes. Além dos 100 alunos formados, muitos já abriram seus próprios negócios ou conseguiram inserção no mercado pet. O programa firmou parcerias estratégicas e recebeu reconhecimentos relevantes: a capacitação completa passou a contar com certificação binacional pela Orange Angels, e sua metodologia foi validada como tecnologia social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). A construção de uma comunidade digital ativa também reforça a força e o impacto do Profissão Pet.

Outro ponto de destaque para a equipe é a diversidade territorial e social das participantes, que fortalece o potencial replicável e transformador da iniciativa. Não à toa, há organizações de outros territórios querendo levar o Profissão Pet para suas regiões, e quase 500 pessoas já estão na fila de espera para as próximas turmas.

Hoje, o projeto mantém parceria com o Centro de Artes Calouste Gulbenkian, no Centro do Rio de Janeiro, onde acontecem formações, oficinas e eventos; com a União de Mulheres Pró Melhoramento da Roupa Suja (UMPMRS), na Rocinha, fortalecendo o vínculo com o território e suas demandas reais; com o Banco Acredita e o Clube Empreendedor, que oferecem microcrédito, mentorias e oficinas de negócios; e com o Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), que disponibiliza apoio jurídico e bolsas para cursos técnicos e de graduação.

Para expandir o alcance e atender à crescente demanda, os criadores seguem em busca de novos apoios institucionais e aportes financeiros.

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Entre em contato com a equipe através do site do projeto ou siga o trabalho no Instagram @institutoimpactocriativo.

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