Fundação Pró-Rim alerta para os desafios da saúde renal

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Presidente da Fundação Pró-Rim destaca a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da ampliação do acesso ao tratamento de pacientes renais no Brasil

A Fundação Pró-Rim, referência no atendimento de pacientes renais no Brasil, reforça a necessidade de ampliar o acesso ao tratamento e fortalecer as políticas públicas voltadas à saúde renal. 

Em entrevista à Coluna da Neuza, Maycon Truppel, presidente da organização, falou sobre os desafios enfrentados pelas clínicas de hemodiálise, a importância da prevenção e o impacto do tratamento humanizado na vida dos pacientes.

A conversa também abordou o Dia Mundial do Rim, celebrado anualmente na segunda quinta-feira de março, uma data dedicada à conscientização sobre as doenças renais crônicas e à promoção da saúde dos rins.

Ao longo do mês, campanhas reforçam hábitos saudáveis. Beber água regularmente, controlar a pressão arterial e evitar o uso excessivo de anti-inflamatórios estão entre as principais medidas para prevenir e preservar a saúde das doenças renais e  rins.  Confira a entrevista.

Coluna da Neuza: Grande parte dos pacientes atendidos vem do SUS. Quais são os principais desafios para garantir um tratamento de alta qualidade?

Maycon Truppel: A instituição atende 99% dos pacientes pelo SUS, mas, infelizmente, a tabela do Sistema Único de Saúde está totalmente defasada e precisaria de reajustes periódicos. A sustentabilidade das clínicas de hemodiálise no Brasil precisa ser analisada com mais atenção porque, em alguns estados e cidades, existe demanda reprimida para o atendimento de pacientes em hemodiálise, que acabam ocupando leitos hospitalares sem necessidade enquanto aguardam vagas nas clínicas.

A Fundação Pró-Rim criou um modelo no qual, enquanto presta serviço para o SUS e recebe apoio de empresas, pessoas físicas e emendas parlamentares. É assim que conseguimos manter a sustentabilidade e evitar que se forme uma fila de espera. 

Coluna da Neuza: A fundação fala muito sobre tratamento humanizado. Na prática, o que isso significa no dia a dia dos pacientes?

Maycon Truppel: Significa não ver apenas o prontuário, mas a vida por trás dele. Entender o impacto que a doença causa não só no paciente, mas também em toda a família. Pensando nisso, a instituição oferece assistência global, pois não adianta colocar a pessoa por quatro horas em uma máquina de hemodiálise, dia sim, dia não, e ela voltar para casa e não ter o que comer.

Assim,  a instituição criou uma rede de proteção ao redor de proteção e assistência ao redor da pessoa em tratamento. Temos um grupo de voluntários que doa cestas básicas e, além disso, damos suporte psicológico, nutricional, farmacêutico e de assistência social. 

Ainda sobre assistência, os municípios deveriam contar com uma rede de nefrologistas para realizar o diagnóstico precoce da doença renal crônica (DRC), que evolui diariamente e não tem cura. A doença possui cinco estágios e, no quinto, a hemodiálise passa a ser necessária. Por isso, o diagnóstico precoce deve ser prioridade nas políticas públicas municipais.

Coluna da Neuza: E como a Pró-Rim atua na prevenção e no diagnóstico precoce junto à população?

Maycon Truppel: Geralmente, no mês de março, acontece a campanha de prevenção contra a doença renal. Por meio de ações em shoppings, empresas e praças, é realizado um trabalho de conscientização sobre diabetes, hipertensão, a importância de beber água e a prática de exercícios físicos.

A população precisa entender as causas que levam à insuficiência renal e a importância dos rins no funcionamento do corpo. Nosso grande desafio é continuar desenvolvendo campanhas de conscientização, prevenção e orientação em escolas e empresas.

Outra informação importante é que a DRC pode acarretar outras doenças. Para os pacientes que já estão em hemodiálise, existe a possibilidade do transplante, mas atualmente há uma grande fila de espera. No Brasil, cerca de 43 mil pacientes aguardam um transplante de rim.

Coluna da Neuza: Sobre a sustentabilidade, sendo uma organização filantrópica, a Pró-Rim depende do apoio da sociedade. Quais são hoje os maiores desafios para manter e expandir esse trabalho?

Maycon Truppel: A instituição sempre teve como principal apoio às doações de pessoas físicas, seja por meio da conta de telefone ou de energia elétrica, sempre convidamos as pessoas a colaborar utilizando esses canais. Hoje as pessoas não atendem mais o telefone, o que dificulta bastante esse tipo de captação.

Por outro lado, contamos com um setor de projetos, leis de incentivo, emendas parlamentares e empresas parceiras que possuem programas de responsabilidade social e realizam doações mensais. Somando esses recursos ao que o SUS repassa, conseguimos ampliar cada vez mais os atendimentos.

Coluna da Neuza: Como você enxerga, a longo prazo, o tratamento da doença renal no Brasil e qual o papel da Pró-Rim nesse cenário?

Maycon Truppel: Na área da inovação, a inteligência artificial auxilia muito na análise dos prontuários médicos, contribuindo para melhores prescrições, maior entendimento da doença e um acompanhamento mais eficiente dos pacientes

Quanto ao futuro, nos Estados Unidos, já foram feitos diversos testes e pesquisas sobre o tema e no ano passado realizamos um simpósio sobre xenotransplante (procedimento que consiste no transplante ou implante de células, tecidos ou órgãos de origem animal em receptores humanos)

A expectativa é que o Brasil realize o primeiro transplante com rim de porco em 2030. Se essa pesquisa realmente evoluir, a tendência é que a lista de espera diminua drasticamente, porque o problema atual é a falta de órgãos, não de centros cirúrgicos ou profissionais capacitados.

Coluna da Neuza: O que as pessoas ainda não entendem sobre a doença renal?

Maycon Truppel: A principal dificuldade é que muitas pessoas não sabem por que o rim adoece e qual é a importância desse órgão na nossa vida. Muitas vezes não percebemos o valor de funções simples do corpo como urinar, por exemplo, até que elas sejam comprometidas.

Uma sugestão para o diagnóstico precoce da doença renal seria incluir o exame de creatinina nos exames admissionais das empresas. Esse exame mede a função renal, tem baixo custo para o SUS, cerca de três reais e ajudaria muito se realizado periodicamente pelos empregadores.

Coluna da Neuza: Existe alguma história de paciente que represente o impacto do trabalho da fundação?

Maycon Truppel: Sim, tivemos o sr. José Gomes Santana, que realizou hemodiálise conosco durante 37 anos. Imagine uma rotina de sessões dia sim, dia não, durante tanto tempo. 

Quando perguntaram a ele como era fazer hemodiálise, respondeu: “Olha, doutor, bom não é, mas, se não fosse essa máquina, eu não teria visto meus filhos crescerem e meus netos nascerem. Agradeço a existência dela e quero viver mais 30 anos”.

São histórias como essa que nos emocionam e nos dão ainda mais energia para enfrentar os desafios dessa grande causa. Infelizmente, ele faleceu recentemente.

Como ajudar a Fundação Pró-Rim

Quem deseja apoiar a Fundação Pró-Rim pode contribuir de diversas formas:

• Seguindo a instituição nas redes sociais, como Instagram e Facebook

• Fazendo doações em dinheiro;

• Doando valores por meio da conta de luz ou telefone. Para saber como participar, ligue gratuitamente para 0800 47 4546; 

• Atuando como voluntário nas ações da fundação; 

• Tornando sua  empresa uma parceira da causa.

A Fundação Pró-Rim também tem um grande desafio pela frente: a construção de um hospital especializado em transplantes, que ajudará a ampliar a capacidade de atendimento e reduzir a fila de espera no país.

O projeto já foi aprovado pela Vigilância Sanitária e está em fase de captação de recursos. A futura unidade terá 7.500 metros quadrados e contará com 93 leitos.

Colabore com essa construção! 

Doe o valor que puder.

A Coluna da Neuza faz parte do Lupa do Bem, projeto de Responsabilidade Social Corporativa da agência de comunicação Sherlock Communications.

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