A partir de 10 de novembro, Belém recebe a COP30, e organizações sociais já se mobilizam para fiscalizar e debater mudanças que impactam diretamente as comunidades. O Lupa do Bem selecionou cinco delas que estão na linha de frente. Confira!
Por: Julia Paresque e Rebeca Souza
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A menos de um mês da COP30, a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), cresce a expectativa em torno das discussões que irão definir os próximos passos da agenda climática global em Belém (PA).
Mais do que governos e lideranças políticas, organizações da sociedade civil também têm um papel essencial no evento, levando para a mesa de debates as vozes das comunidades e propondo soluções concretas para os desafios ambientais e sociais.
Porém, antes disso é preciso mobilizar e agir localmente, já que os compromissos assinados precisam acontecer na prática. Por isso, reunimos cinco iniciativas de diferentes países da América Latina que constroem pontes entre justiça social e sustentabilidade, temas centrais da cúpula.
Rede GTA (Grupo de Trabalho Amazônico) – Brasil
A Rede GTA (Grupo de Trabalho Amazônico) é um movimento social fundado em 1992, com sede em Belém, que atua no fortalecimento de comunidades amazônicas por meio da ação política e da articulação de base. Seu trabalho defende a floresta, os rios e os modos de vida de povos tradicionais, como indígenas, extrativistas, quilombolas, ribeirinhos e seringueiros.
Um dos principais eixos da Rede é afirmar que os povos da Amazônia não querem apenas ser representados, mas ocupar o papel de verdadeiros negociadores em temas que afetam seus territórios, como demarcação, proteção ambiental e enfrentamento à exploração destrutiva.
Para a COP30, a GTA atua no advocacy climático, defendendo o protagonismo das comunidades e lideranças locais. Entre as ações preparatórias está a elaboração da carta política “Cúpula dos Povos: Rumo à COP30”, que reúne as reivindicações dos movimentos sociais em defesa da justiça climática e socioambiental. O documento será apresentado e debatido durante a Conferência, em Belém.
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Palmares Laboratório-Ação – Brasil
É uma organização sediada em Zumbi dos Palmares, bairro da periferia de Manaus (AM). O Palmares Lab combina pesquisa, mobilização e ação comunitária nos eixos justiça social e ambiental, representatividade, mudança climática, tecnologia, economia digital, geração de renda, produção de dados, conhecimento e advocacy.
Sua diretora-executiva, Vitória Pinheiro, foi à New York Climate Week 2025 para debater e criar soluções acerca dos maiores desafios ambientais do nosso tempo. Este é um dos eventos dos quais a organização vem participando desde o início do ano para fortalecer a ação climática no Brasil e no mundo.
Para a COP30, o Palmares Lab tem enfatizado a importância da inclusão real de comunidades nos espaços decisórios: que jovens periféricos amazônicos, negros e indígenas tenham voz, não só como participantes simbólicos, mas atuantes. Além disso, a organização destaca a relevância de pautas como a transição energética justa, o desenvolvimento de tecnologias sociais por movimentos e comunidades de base.
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GFLAC – México
O Grupo de Financiamento Climático para a América Latina e o Caribe (GFLAC) é uma organização da sociedade civil regional criada oficialmente em 2012, fruto de articulações iniciadas anos antes.
Com sede no México e atuação em diversos países da região, reúne ONGs, instituições acadêmicas e especialistas independentes em torno de um objetivo comum: promover na região uma arquitetura financeira alinhada ao desenvolvimento de baixo carbono e resiliente ao clima, em consonância com o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Guiado por princípios como justiça climática, direitos humanos, equidade de gênero, transparência e prestação de contas, o GFLAC tem se consolidado como uma das principais vozes da região no debate sobre financiamento climático.
Visando a COP30, a organização vem se mobilizando para defender compromissos centrais como a ampliação e a equidade no acesso a recursos, maior apoio à adaptação, transição energética justa e mecanismos de transparência.
O grupo também esteve entre os signatários da “Carta da Sociedade Civil Latino-Americana à Presidência da COP-30”, documento coletivo subscrito por cerca de 80 organizações da região que reúne demandas estratégicas para garantir resultados concretos e duradouros da conferência.
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UMA – Peru
A ONG UMA, com sede no Peru, atua na promoção da educação e da conscientização ambiental, fortalecendo comunidades sustentáveis a partir de três pilares centrais: comunidade, equidade e meio ambiente. Seu trabalho busca formar agentes multiplicadores da mudança por meio de projetos de desenvolvimento sustentável, ações climáticas em comunidades, campanhas educativas e workshops ambientais.
De olho na COP30, a organização já atua destacando os principais temas em debate, democratizando um conhecimento que muitas vezes permanece restrito a grupos específicos da sociedade e tomadores de decisões.
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Instituto Internacional Arayara – Brasil
O Instituto é uma organização sem fins lucrativos criada por uma parceria que envolve cientistas, engenheiros e ambientalistas, com foco na promoção de justiça social, ambiental, cultural e econômica.
Com cerca de 30 anos de existência, atuam por meio da educação, da ciência, da boa gestão pública e da plena participação democrática. A organização está presente no Brasil, mantém sede no Uruguai e desenvolve ações em toda a América Latina e Central. Entre suas frentes, destacam-se o ativismo político, a mobilização social, a educação ambiental e o advocacy para influenciar decisões que impactam o clima e os territórios tradicionais.
Para a COP30, há iniciativas de engajamento cívico, como participação em eventos, fóruns e capacitações com juventudes e comunidades tradicionais.
Além disso, realizam o monitoramento de compromissos climáticos, destacando o papel de grupos vulneráveis nessas decisões. Durante o evento, estarão no Amazon Climate Hub, um espaço aberto e gratuito para debates e trocas de experiências.
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