Com o Trastuzumabe Entansina e ampliação da faixa etária para exames, o Ministério da Saúde e o SUS dão novos passos na luta contra o câncer de mama
Neste Outubro Rosa, o Ministério da Saúde anuncia um importante avanço no tratamento do câncer de mama: a chegada do primeiro lote do Trastuzumabe Entansina ao SUS. O medicamento, de última geração, é indicado para o câncer de mama HER2-positivo, uma forma mais agressiva da doença, e pode reduzir em até 50% a mortalidade entre as pacientes.
A primeira remessa, com 11.978 unidades, já foi recebida em Guarulhos (SP). Ao todo, serão quatro lotes, entregues até junho de 2026, atendendo 100% da demanda atual e beneficiando 1.144 pacientes.
Além disso, o Ministério avança na incorporação de novos inibidores utilizados no tratamento do câncer de mama em estágio avançado ou metastático.
Outra medida importante foi a ampliação da faixa etária para a realização da mamografia pelo SUS, que agora inclui mulheres a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas.
Para fortalecer o diagnóstico precoce, o governo também lançou as carretas do programa Agora Tem Especialistas, que oferecem atendimento em 20 estados. Com 28 unidades móveis, a ação deve realizar 130 mil procedimentos apenas neste mês de outubro, incluindo consultas, exames e biópsias, beneficiando milhares de mulheres em todo o país.
O que é o Outubro Rosa?
O movimento Outubro Rosa, hoje reconhecido mundialmente, teve início nos Estados Unidos na década de 1990, promovido pela Fundação Susan G. Komen for the Cure durante a primeira Corrida pela Cura.
Na ocasião, foram distribuídos laços cor-de-rosa (símbolo que se tornaria um ícone da campanha) e a iniciativa foi ganhando força com o tempo, impulsionada por ações isoladas em diferentes países.
A partir daí, o Congresso americano passou a reconhecer oficialmente o mês de outubro como o período dedicado à conscientização sobre o câncer de mama e, mais recentemente, também sobre o câncer do colo do útero.
O movimento envolve ações de mobilização social e campanhas informativas, com o objetivo de destacar a importância da detecção precoce, do rastreamento e da prevenção da doença, além de promover uma discussão mais ampla sobre a saúde da mulher.
No Brasil, o Outubro Rosa chegou em 2002, mas só ganhou força a partir de 2008, quando foi oficializado em âmbito nacional. Apesar de já estar consolidada há mais de duas décadas, a campanha continua essencial: segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde, o país deve registrar 73.610 novos casos de câncer de mama em 2025.
Em 2023, foram contabilizadas mais de 20 mil mortes pela doença, que segue sendo o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras.
O Ministério da Saúde alerta que o sintoma mais comum é o aparecimento de um nódulo, geralmente indolor, duro e irregular, embora alguns tumores possam apresentar consistência mais branda e contornos bem definidos.
Outros sinais importantes incluem:
- Edema cutâneo, semelhante à aparência de casca de laranja;
- Retração da pele;
- Dor local;
- Inversão do mamilo;
- Hiperemia (vermelhidão);
- Descamação ou ulceração do mamilo;
- Secreção papilar, especialmente quando é unilateral e espontânea.
Cuidados com a saúde feminina
Muitos cuidados com a saúde feminina acabam sendo negligenciados por falta de acesso, estigma, sobrecarga ou simplesmente por falta de informação.
Alguns exemplos são:
- Exames preventivos além da mamografia e do Papanicolau, como avaliações ginecológicas regulares e a investigação de sintomas considerados “menores”, que podem indicar endometriose, miomas ou distúrbios hormonais.
- Saúde mental, frequentemente afetada por ansiedade, depressão, alterações do ciclo menstrual, menopausa e perimenopausa, ainda é tratada como algo “normal”, quando na verdade merece atenção e acompanhamento especializado.
- Sexualidade e prazer, áreas que ainda enfrentam tabus. Dores, baixa libido e disfunções sexuais são pouco discutidas, embora afetem profundamente a qualidade de vida das mulheres.
- Autoimagem e corpo também pedem cuidado: após cirurgias, tratamentos contra o câncer ou mudanças hormonais, o apoio psicológico e social é essencial, mas ainda insuficiente.
Além disso, os saberes ancestrais e tradicionais das mulheres, como o uso de plantas medicinais, banhos terapêuticos, massagens, dietas tradicionais e chás, continuam relevantes, mas muitas vezes são invisibilizados pela ciência.
Essas práticas auxiliam no alívio de sintomas menstruais, no relaxamento, e ajudam a lidar com perdas e transições corporais, como a gravidez e a menopausa.
As redes de cuidado comunitário também têm papel fundamental: rodas de conversa, partilhas de experiências, saberes populares sobre alimentação, ervas, meditação, atividades físicas adaptadas e rituais de autocuidado criam espaços de acolhimento e pertencimento. Muitas vezes, são nessas trocas que os primeiros sinais de doenças são percebidos.
Por fim, mulher, não se esqueça: cuidar da sua saúde é cuidar de si mesma e de quem você ama.
O Outubro Rosa nos lembra que agir cedo salva vidas. O cuidado integral transforma rotinas e fortalece.
Que este mês, e todos os próximos, inspirem escuta, autoestima e um cuidado profundo.
Instituições de apoio a mulheres com câncer de mama
A Coluna da Neuza pesquisou e reuniu uma lista de instituições que oferecem apoio a mulheres com câncer de mama em diferentes regiões do país. Esperamos que ajude quem está nessa caminhada ou deseja apoiar alguém que esteja passando por ela.
- Campo Grande/ Mato Grosso do Sul – Grupo Onça Pintada
- Paranaguá/ Paraná – Peito Aberto
- Porto Alegre – FENAMA e Américas Amigas (com atuação em todo o Brasil)
- Goiana – APCAM, Associação dos Portadores de Câncer de Mama, que oferece assistência bio-psico-social a pacientes.
- São Paulo – Associação Rosa Mulher, Instituto Protéa (apoio ao tratamento de mulheres de baixa renda) e Instituto Terapia e Beleza (apoio psicológico e de autoestima, com foco em colorir jornadas e florescer sorrisos).
- Bauru (SP) – Amigas do Peito
- Santos (SP) – Instituto Neomama
- Paraíba – Projeto da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
- Belo Horizonte – Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG)
- Bahia – Instituto do Câncer do Oeste Bahia
- Rio de Janeiro – Fundação Laço Rosa, com ações de advocacy, banco de perucas e apoio a políticas públicas.
- Vitória (ES), Volta Redonda (RJ) e outras cidades – Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (GAPC), que oferece próteses, medicamentos e suporte a pacientes.
- Cachoeiro de Itapemirim/Espírito Santo- GAPCCI.
Se você está passando por um diagnóstico de câncer ou conhece alguém nessa jornada, vale conhecer também o Oncoguia, que reúne informações sobre direitos, apoio e orientação para pacientes oncológicos em todo o Brasil
A Coluna da Neuza é parte do portal Lupa do Bem, projeto de Responsabilidade Social Corporativa da agência de comunicação Sherlock Communications.





