Agenda SP+ Verde traz reflexões sobre o desenvolvimento sustentável e o futuro que queremos

Desenvolvimento sustentável

Evento debateu o desenvolvimento sustentável das cidades e contou com a participação ativa de instituições do terceiro setor

Nos dias 4 e 5 de novembro, aconteceu o Summit Agenda SP+ Verde, no Parque Villa-Lobos, na capital paulista. O evento internacional pré-COP30 foi promovido pelo Governo do Estado de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e Universidade de São Paulo (USP).

O encontro mobilizou público, empresas, órgãos públicos e o terceiro setor em debates sobre desenvolvimento sustentável e economia verde, promovendo impacto por meio de diálogos, painéis e workshops sobre temas como investimentos verdes, justiça climática, resiliência urbana, transição energética e economia circular.

A estrutura montada no parque contou com cinco palcos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade, espaço gastronômico e atrações culturais. O Lupa do Bem esteve presente nos dois dias e te conta o que aconteceu.

Gastronomia sustentável

Durante o evento, um espaço de gastronomia sustentável reuniu coletivos que enxergam na comida um instrumento de transformação social e ambiental. Entre eles, o Palmitolândia, fazenda familiar do Vale do Ribeira que há mais de 20 anos cultiva palmito pupunha de forma integrada à Mata Atlântica.

Outro destaque foi o Pesqueiro Samunmurai, com o projeto Flores e Sabores, que combina agricultura sustentável e gastronomia criativa. O espaço também recebeu workshops, como o de compostagem caseira, ministrado por Iuri Timoner, fundador da ONG Dois Rios Agrofloresta, que ensinou técnicas utilizando itens recicláveis.

Já no espaço da Prefeitura de São Paulo, responsável pelo programa Sampa+Rural, os participantes aprenderam a cultivar mudas em casa. Ao final, os 30 inscritos no workshop puderam levar para casa a muda que plantaram.

Iuri Timoner, fundador da ONG Dois Rios Agrofloresta

Economia circular e o desenvolvimento sustentável

A economia circular (modelo que busca prolongar o ciclo de vida dos produtos, reduzir resíduos e reaproveitar recursos) teve destaque no Summit com o Hub de Circularidade, que reuniu atividades práticas, painéis e experiências de aprendizado sobre como reduzir o desperdício, redesenhar sistemas e gerar valor a partir de recursos já existentes. O Lupa do Bem e a Sherlock Communications também estiveram presentes no espaço. 

Na terça-feira, Fabiana Rosa, coordenadora do Lupa do Bem e Head de Impacto Social e ESG na Sherlock, participou do painel Como Transformar Economia Circular em Notícia, ao lado da jornalista Fernanda Mena (Folha de S. Paulo), da influenciadora Mariana Moraes (idealizadora do Verdes Marias) e de Giselle Garcia, gerente de Comunicação da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo.

Fabiana destacou a importância de ouvir as comunidades afetadas pelas atividades das empresas e compreender como elas podem articular processos que gerem resultados positivos para todos os lados.

Segundo ela, é importante que as empresas saibam quais impactos causam e busquem parcerias com pessoas e organizações que ajudem a diminuir esses efeitos e fortalecer ações sociais, sempre comunicando de forma verdadeira, sem tentar parecer sustentáveis apenas no discurso.

Fabiana Rosa, Fernanda Mena, Mariana Moraes e Giselle Garcia

A coordenadora também ressaltou que, ao propor pautas, é essencial engajar jornalistas, para que compreendam o poder transformador da economia circular.

Seguindo na programação, a Sherlock Communications promoveu o workshop Circularidade em Pauta: Estratégias para Comunicar e Engajar, conduzido por Isabela Guaraldi, Executiva Sênior de Contas e Coordenadora de Projetos de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), e Danielle Cameira, Gerente de Relações Públicas.

As especialistas apresentaram cases e estratégias para transformar a circularidade em narrativa e ação concreta. Ao final, os participantes desenvolveram planos de comunicação para apresentar produtos e projetos a veículos de imprensa.

Premiação e inovação

No segundo dia, foram divulgados os vencedores do Prêmio SP Carbono Zero, que reconheceu projetos inovadores voltados à descarbonização, restauração ecológica e transição climática.

O grande vencedor foi o projeto AARR Corredores de Vida, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), em parceria com a AstraZeneca e a Biofílica Ambipar Environment. A iniciativa atua na recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica e já atingiu 15 milhões de árvores plantadas, conectando fragmentos florestais e beneficiando comunidades locais.

Em segundo lugar, o projeto “Nos Hospitais”, da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), levou soluções de eficiência energética a unidades públicas de saúde, reduzindo quase 7 toneladas de emissões de CO₂.

O terceiro lugar foi para a Toyota do Brasil, com o projeto Reimaginando o Futuro Sustentável, voltado à economia circular. A montadora reaproveita cerca de 330 toneladas de resíduos por ano, transformando materiais descartados em produtos com valor agregado e geração de renda, entre eles bolsas produzidas para atletas nas Paralimpíadas.

Na quarta e última posição, o Instituto Meu Oceano, da Baixada Santista, foi premiado pela criação do primeiro barco-escola 100% elétrico do país, que alia educação ambiental e inovação tecnológica, beneficiando mais de 30 mil estudantes por ano.

A cerimônia também celebrou os vencedores do projeto “Olho na COP30”, da Prefeitura de São Paulo, voltado à educação climática. O programa mobilizou 90 escolas municipais, que desenvolveram projetos sobre sustentabilidade e mudanças climáticas. Ao todo, 18 estudantes foram homenageados durante o evento.

Terceiro setor no centro das discussões

ONGs e projetos sociais também tiveram destaque nos palcos principais. Fernando Alves, sociólogo e fundador da Rede Cidadã, participou do painel Valores que Transformam: Sustentabilidade Além do ESG, no Palco Cosan – Economia Verde, destacando como a coerência entre discurso e prática é essencial para construir negócios e políticas mais responsáveis e transformadoras.

No painel Implementando a Circularidade: Desafios e Oportunidades”, Telines Basilio (apelidado de Carioca), diretor-presidente da Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro (COOPERCAPS) e da Confederação Nacional de Cooperativas de Trabalho e Produção de Recicláveis (Conatrec), compartilhou sua trajetória: de morador de rua e catador de recicláveis por 12 anos a líder de uma das maiores cooperativas do país.

Ele alertou que “40% de todo material volta para o aterro e reforçou: “Economia circular precisa ter inclusão social ou não é economia circular. Não existe inclusão social sem geração de renda. A fome e a miséria nos levaram até lá, não a vontade de salvar o planeta.”

David Schurmann, CEO da Voz dos Oceanos, participou do painel Fôlego Azul: O Papel dos Mares no Equilíbrio do Clima e da Vida. Os participantes destacaram que os mares absorvem cerca de 30% do dióxido de carbono emitido globalmente e produzem mais da metade do oxigênio da atmosfera, mas ainda são um dos ecossistemas mais negligenciados nas políticas climáticas.

“Não adianta só conscientizar. Precisamos de compromissos efetivos de governos e empresas. O oceano não é depósito de plástico, é fonte de vida”, reforçou Schurmann.

Painel “Fôlego Azul: O Papel dos Mares no Equilíbrio do Clima e da Vida”

Encerramento cultural

Os dois dias de evento encerraram com shows gratuitos. Na terça-feira, Coral Heliópolis do Instituto Baccarelli e Zizi Possi alegraram a noite. Já na quarta, o Coral da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e o Novo Baile do Simonal animaram o público, provando que a busca pelo desenvolvimento sustentável das cidades também pode estar aliada à cultura.

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