Rugby é Nossa Paixão: quando o esporte vira ferramenta de transformação social

rugby social

Projeto de rugby social nasceu de forma informal na praia de Ipanema (RJ) e transforma a vida de crianças do Morro do Cantagalo por meio do esporte, valores humanos e educação

O rugby é um esporte nascido em 1823, na Inglaterra, quando, na ocasião, o estudante William Webb Ellis teria quebrado as regras do futebol tradicional ao correr com a bola nas mãos durante uma partida na Escola de Rugby, um tradicional colégio inglês, fundado em 1567 em Warwickshire . O gesto inusitado deu origem ao Rugby Football, modalidade que hoje é praticada em diversos países e carrega valores como disciplina, respeito e solidariedade.

No Brasil, o primeiro registro do esporte data de 1891, com a fundação do Clube Brasileiro de Futebol Rugby, no Rio de Janeiro. Já em 1895, a modalidade chegou a São Paulo, e sua estreia olímpica ocorreu em Paris, em 1900, segundo o portal Brasil Rugby.

Apesar de ter uma história centenária, o rugby ainda é visto como um esporte elitizado e pouco acessível. Assim, ao levar a modalidade para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social no Morro do Cantagalo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o projeto Rugby é Nossa Paixão busca transformar esse cenário.

Quem vai nos contar sobre como a iniciativa vem impactando a comunidade é Déborah Ciarla, coordenadora do projeto, em entrevista à Coluna da Neuza. A conversa revela não apenas a trajetória do trabalho desenvolvido, mas também como o esporte pode ser um instrumento de formação humana, educação e ampliação de horizontes. Confira a entrevista abaixo.

Coluna da Neuza: Como o projeto começou, quem fundou e de onde surgiu o nome?

Déborah Ciarla: O projeto começou de forma totalmente informal, na praia de Copacabana. A iniciativa partiu de dois estrangeiros: um zimbabuano e Nelson Andes, da Nova Zelândia. Eles faziam parte do time Rio Rugby, que existe há cerca de 50 anos, na categoria adulto e mista.

Eles treinavam em Ipanema (RJ) na areia, e isso começou a chamar a atenção de frequentadores da praia e moradores das comunidades próximas. As pessoas se aproximavam, ficavam curiosas e queriam aprender o esporte.

Sobre o nome, os primeiros alunos foram cinco irmãos, cujo sobrenome era Paixão. A partir daí, o nome do projeto surgiu naturalmente e cresceu através da divulgação informal. E até hoje, a família Paixão faz parte da iniciativa: um deles é professor, outros ainda praticam o esporte e há também primos envolvidos.

Coluna da Neuza: Então, esse foi o motivo da escolha do nome?

Déborah Ciarla: Não só por isso, o nome também carrega dois significados muito importantes. Um, porque o rugby é o esporte que nos conduz e nos norteia. E o outro é porque a paixão é um dos cinco valores fundamentais da modalidade, junto com solidariedade, integridade, disciplina e respeito.

Durante muito tempo, o rugby foi um esporte elitizado e de difícil compreensão para quem não tinha acesso. Escolhemos essa modalidade justamente por acreditar no seu potencial de formação humana e por ela ajudar qualquer pessoa a compreender melhor o mundo ao seu redor.

Nossa ideia sempre foi atuar em territórios marcados pela vulnerabilidade social, oferecendo não apenas esporte, mas valores que possam ser levados para a vida.

Coluna da Neuza: Em que ano o projeto começou e onde ele acontece atualmente?

Déborah Ciarla: O Rugby é Nossa Paixão existe há 13 anos. Hoje, as atividades acontecem na praia de Ipanema, onde o time treina, e no alto da comunidade Morro do Cantagalo, entre Copacabana e Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Coluna da Neuza: O que o rugby representa para quem pratica?

Déborah Ciarla: Representa exatamente aquilo que defendemos como valores. Para iniciar e terminar um jogo, precisamos estar alinhados com solidariedade, integridade, disciplina, respeito e paixão, dentro e fora de campo. Esses princípios orientam tudo o que fazemos no projeto.

Coluna da Neuza: Quantas pessoas já foram beneficiadas ao longo do tempo?

Déborah Ciarla: Mais de 300 crianças já passaram por aqui. Durante a pandemia, infelizmente, tivemos que encerrar as atividades, depois que retornamos, estamos com cerca de 70 participantes ativos. Os treinos acontecem três vezes por semana, na comunidade e na praia.

Coluna da Neuza: Como é a relação do projeto com a comunidade?

Déborah Ciarla: Somos filiados à associação de moradores, que nos ajuda com o uso do espaço e com a comunicação local. Também contamos com o apoio da rádio local, que divulga novas turmas e mudanças de endereço, se houver.

Atualmente, nosso público é exclusivamente infantil. As famílias ainda não participam do cotidiano do projeto, mas estamos tentando nos aproximar gradualmente, mostrando como podemos contribuir com a comunidade de maneira geral.

rugby social
Foto: Reprodução

Coluna da Neuza: O projeto realiza outras atividades além do rugby?

Déborah Ciarla: No momento, não, mas estamos buscando parceiros para oferecer outras atividades no futuro. O rugby ainda não é um esporte popular, e muitas pessoas mantêm certa distância por não conhecer, fazemos um trabalho de formiguinha, apresentando essa nova possibilidade pouco a pouco.

Coluna da Neuza: Quais são as maiores vitórias do projeto até hoje?

Déborah Ciarla: No início, achávamos que a maior vitória seria formar atletas que chegassem à seleção brasileira. E isso aconteceu. Mas hoje entendemos que nosso maior sucesso é ver essas crianças permanecerem na escola formal, concluírem os estudos e entenderem que o mundo é muito maior do que a comunidade onde vivem.

Elas passam a enxergar novas possibilidades de estudo, trabalho e ocupação. Esse alargamento de visão, entre os participantes do projeto, é a nossa maior conquista.

Coluna da Neuza: E quais são os principais desafios atualmente?

Déborah Ciarla: Nosso maior desafio é financeiro. Os recursos captados nos anos anteriores já foram totalmente utilizados e agora, em 2026, nosso caixa está próximo de zero, e a grande pergunta é: quando conseguiremos reiniciar plenamente as atividades?

Rugby social: esporte, valores e transformação

A professora de educação física Raissa Vieira, 27 anos, falou sobre sua experiência como treinadora de rugby no projeto.

“O Rugby é Nossa Paixão é um projeto onde atuei como treinadora e que me permitiu conhecer meninas e meninas do mundo do Cantagalo. Através do rugby eles passaram a praticar o respeito, disciplina e aprenderam a conviver respeitando as diferenças de cada um. Para mim, esse é um projeto que representa uma potência, uma ferramenta de transformação social, e fazer parte disso foi profundamente marcante”.

Gostou do projeto? Saiba como ajudar

Para continuar atendendo aos seus beneficiários, diversificar as atividades e fazer com que cada vez mais pessoas conheçam esse esporte, o Rugby é Nossa Paixão precisa de você.

Existem várias formas de você ajudar, por exemplo: divulgando o projeto, fazendo uma doação através do pix abaixo e sendo voluntário nas áreas de saúde, primeiros socorros, psicologia e pedagogia.

Pix: rugbyenossapaixao@gmail.com

Para mais informações entre em contato com rugbyenossapaixao@gmail.com.Sigam, curtam, comentem e compartilhem o perfil no Instagram e no Facebook.

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