Instituição paulista devolve autoestima e esperança com doação de perucas

perucas para pacientes com câncer

A confecção de perucas para pacientes com câncer, entregues gratuitamente, já impactou milhares de mulheres e crianças em todo o Brasil, resgatando dignidade e incentivando a continuidade do tratamento

Perder o cabelo durante o tratamento contra o câncer ou outras enfermidades está longe de ser apenas uma questão estética. Para muitas pessoas, é um dos momentos mais difíceis de todo o processo, e é nesse contexto que o acesso às perucas para pacientes com câncer se torna essencial para a autoestima e o bem-estar.

Foi a partir da consciência dessa dificuldade que nasceu a Cabelegria, uma iniciativa social que transforma doações de cabelo em perucas gratuitas, devolvendo dignidade, confiança e vontade de seguir em frente para mulheres e meninas em tratamento oncológico.

Criada em 2013, a associação sem fins lucrativos surgiu por iniciativa de Mariana Robrahn, designer gráfica e atual presidente da organização, e de Mylena Duarte, cofundadora.

Em entrevista à Coluna da Neuza, Mariana conta um pouco da história da instituição.

Coluna da Neuza: O que é a ONG Cabelegria e o que ela faz?

Mariana: É uma iniciativa que nasceu de um objetivo simples, mas muito poderoso: ajudar pacientes oncológicos a resgatarem a autoestima por meio da doação de perucas.

Coluna da Neuza: De onde vêm as perucas?

Mariana: Recebemos os cabelos em doação, confeccionamos as perucas e as entregamos gratuitamente a pacientes que perderam os fios, seja por câncer ou outras enfermidades.

Começou com uma campanha nas redes sociais que rapidamente ganhou proporções inesperadas. Conseguimos ampliar a arrecadação de cabelos, que já fazíamos, e lançamos uma campanha online. 

Em menos de um mês, recebemos mais de mil doações, e isso nos mostrou que podíamos ir além. A partir daí, passamos também a produzir e entregar perucas gratuitamente.

Coluna da Neuza: Vocês realizam mais alguma atividade? 

Mariana: Sim, promovemos também oficinas lúdicas em hospitais infantis, atividades de confecção de acessórios e oferecemos suporte social e psicológico aos beneficiários. Não é só sobre cabelo, é sobre cuidar do paciente como um todo, corpo e mente.

Coluna da Neuza: Quem é o público atendido pela Cabelegria? 

Mariana: No início, atendíamos apenas crianças. Mas, em 2015, ampliamos nossa atuação e passamos a atender também mulheres de todas as idades, aumentando ainda mais o impacto social já comprovado.

Coluna da Neuza: Qual o critério para receber uma peruca?  

Mariana: Nenhum. Qualquer menina, adolescente ou mulher em tratamento oncológico, independentemente de condição financeira, social ou territorial, pode solicitar uma de nossas perucas.

Coluna da Neuza: Qual o processo para fazer o pedido? 

Mariana: A paciente pode solicitar pelo nosso site e a entrega pode acontecer de várias formas como pelos Correios, retirada em bancos físicos ou unidades móveis. Hoje, contamos com sete bancos de perucas: quatro em São Paulo e três no Rio de Janeiro. Nesses espaços, o atendimento funciona como uma loja comum, a diferença é que a “cliente” não paga pela mercadoria.

A paciente pode experimentar e escolher a peruca com a qual mais se identifica, a ideia é que ela volte a ter prazer em se olhar no espelho.

Coluna da Neuza: Como é o processo de confecção das perucas?

Mariana: Após a coleta, os cabelos passam por uma triagem e são encaminhados para costureiras especializadas, responsáveis pela confecção das perucas. Depois de prontas, as peças são higienizadas e ficam prontas para serem entregues. É um processo cuidadoso, feito com muito carinho.

As perucas são enviadas para qualquer região, inclusive áreas mais remotas. Além dos pontos físicos, contamos com pequenos caminhões que levam atendimento direto a quem precisa.

Coluna da Neuza: Qual o desejo de vocês para o futuro do projeto? 

Mariana: Temos o desejo de ampliar ainda mais essa rede. Queremos levar bancos de perucas para hospitais oncológicos de todo o Brasil. Mais do que estética, a peruca representa reconexão com a vida. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, fatores psicossociais influenciam diretamente na adesão ao tratamento, um dos principais determinantes de sucesso em doenças crônicas, como o câncer.

Autoestima também é saúde

Mariana relata que há casos de mulheres que deixam de sair de casa, de ir à igreja ou até ao mercado, e crianças que param de frequentar a escola. No entanto, muitas conseguem retomar suas rotinas após receberem as perucas.

Uma das histórias mais marcantes para a equipe da ONG Cabelegria, segundo Mariana, ilustra bem esse impacto. Uma paciente, ao experimentar uma peruca, pediu para não se olhar no espelho. 

Disse que não se reconhecia careca, que aquela não era ela. Mas, quando finalmente se viu com a peruca, a reação foi emocionante. Ali ficou claro, mais uma vez, que não se trata de algo superficial.

Quem pode doar cabelos?

Qualquer pessoa pode doar, mesmo que o cabelo tenha química, desde que tenha no mínimo 15 cm e esteja preso com elástico no momento do corte. Até o momento, a Cabelegria já entregou mais de 17 mil perucas para pacientes com câncer, um número expressivo, mas que poderia ser ainda maior.

Atualmente, a instituição possui cerca de duas toneladas de cabelo armazenadas que ainda não foram transformadas. O motivo? Falta de recursos financeiros para cobrir os custos de produção de uma peruca, que envolvem desde materiais até mão de obra especializada.

Isso deixa uma coisa evidente: não falta solidariedade, mas sim apoio para transformá-la em ação.

Saiba como ajudar

Há várias formas de contribuir, por exemplo: 

  • Doando cabelo;
  • Atuando como voluntário; 
  • Divulgando o projeto nas redes sociais;
  • Ou apoiando financeiramente, para que mais perucas sejam produzidas e entregues.

Em tempos em que tantas notícias nos atravessam, muitas vezes de forma dolorosa, iniciativas como a Cabelegria nos lembram o poder dos pequenos gestos.

Um corte de cabelo pode parecer simples, mas, nas mãos certas, se transformam em coragem, pertencimento e esperança.

Se há algo que essa história prova é que ajudar o outro também transforma quem ajuda. E talvez esteja aí o maior convite desta matéria: não apenas conhecer, mas participar de forma efetiva. 

Siga a Cabelegria no Instagram, comente, compartilhe e ajude a fazer essa boa notícia chegue a quem precisa, e  que mais pessoas se mobilizem para contribuir.

Conheça os pontos de coleta de cabelo. Você também pode adotar uma peruca. Para conhecer melhor o projeto ou obter informações, acesse o site.

A Coluna da Neuza faz parte do Lupa do Bem, projeto de Responsabilidade Social Corporativa da agência de comunicação Sherlock Communications.

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