Rio Refugia 2026 reúne debate e cultura para fortalecer o protagonismo de pessoas refugiadas

pessoas refugiadas

Do 1º Fórum Rio Refugia ao maior festival multicultural do estado, a iniciativa realizada no SESC Tijuca reuniu especialistas, organizações, empreendedores e artistas para discutir desafios, fortalecer redes de apoio e celebrar a diversidade de migrantes e pessoas refugiadas

O SESC Tijuca foi transformado pelo Rio Refugia 2026 em um espaço de diálogo, acolhimento e celebração da diversidade ao longo de junho. A programação integrou as ações do Dia Mundial do Refugiado, celebrado anualmente em 20 de junho. O ciclo de atividades começou com o 1º Fórum Rio Refugia, realizado no dia 17, e culminou com a oitava edição do festival multicultural, nos dias 20 e 21.

O evento reuniu representantes da sociedade civil, instituições e pessoas refugiadas que hoje atuam como artistas, empreendedores, professores e lideranças comunitárias, reforçando o protagonismo de quem transformou a experiência do refúgio em oportunidade para reconstruir a própria vida e contribuir ativamente para a sociedade.

Mais do que uma sequência de eventos, a proposta foi construir uma ponte entre reflexão e ação. Se o fórum abriu espaço para debates sobre políticas de acolhimento, inclusão e fortalecimento da participação de pessoas refugiadas , o festival apresentou ao público os resultados dessas iniciativas por meio da gastronomia, da música, da dança, do artesanato e do empreendedorismo de quem reconstruiu suas vidas no Brasil.

A Coluna da Neuza, com o apoio da Sherlock Communications e por meio do Lupa do Bem, acompanhou os dois eventos e pôde testemunhar como histórias de superação, pertencimento e esperança deram o tom à programação.

Diálogo e protagonismo no 1º Fórum Rio Refugia

A abertura do 1º Fórum Rio Refugia aconteceu com uma apresentação do coletivo Comay Candela, formado por mulheres latino-americanas que utilizam a dança como instrumento de expressão cultural, fortalecimento da identidade e valorização das memórias ancestrais.

Na sequência, a roda de conversa “Organizações Civis e Refúgio no RJ: um olhar a partir da experiência de pessoas em refúgio” reuniu quatro refugiados que reconstruíram suas vidas no Brasil: a venezuelana Maria Gabriela Moreno, a congolesa Rama Tutshumu, o venezuelano Gustavo Martínez e o marroquino Mohammed El Jazouli. A mediação foi conduzida por Priscila Pereira, analista de projetos sociais do SESC Tijuca.

A partir de suas trajetórias, os convidados compartilharam os desafios de deixar seus países de origem, reconstruir a vida em um novo país e em um novo idioma e transformar a experiência do refúgio em oportunidades de trabalho, empreendedorismo e contribuição para a sociedade brasileira.

A principal mensagem do encontro foi o pedido para que as pessoas refugiadas deixem de ser vistas apenas como beneficiárias de projetos sociais e sejam reconhecidas protagonistas, capazes de empreender, produzir conhecimento, fortalecer comunidades e contribuir para o desenvolvimento econômico, social e cultural do estado do Rio de Janeiro.

Créditos: SESC Rio

Histórias de recomeço e integração

Essa percepção também foi compartilhada pelo venezuelano Armando Marchena, de 28 anos, morador da Zona Norte do Rio de Janeiro.

“O Rio Refugia é muito gratificante porque aponta para quem nós somos de verdade. Aqui, sou reconhecido pelo meu trabalho, pela minha cultura e pela minha vontade de recomeçar. O evento deixa claro que refugiados têm muito a oferecer e que nossa cultura é muito rica. Também me faz sentir acolhido e respeitado. Para mim, o Rio Refugia representa esperança, dignidade e a certeza de que é possível recomeçar.”

Outro aspecto amplamente debatido foi o papel da cultura, da educação, da arte e da gastronomia como instrumentos capazes de aproximar povos, reduzir preconceitos e promover a verdadeira integração entre brasileiros e migrantes.

Ao final da manhã, um coffee break especial, batizado de “Refúgio na Cozinha”, e uma mini feira com instituições parceiras prolongaram o diálogo iniciado durante o Fórum, permitindo que participantes, organizações e visitantes trocassem experiências e fortalecessem conexões.

Festival multicultural celebra diversidade e empreendedorismo

Poucos dias depois, essas conexões ganharam vida durante a 8ª edição do Rio Refugia 2026, considerado o maior festival multicultural dedicado ao tema no estado do Rio de Janeiro. 

Também promovido pelo SESC RJ, em parceria com o Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ, Feira Chega Junto e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o evento celebrou o Dia Mundial do Refugiado reunindo milhares de visitantes em uma programação gratuita e diversificada.

Um dos principais atrativos foi a feira multicultural, com empreendedores de diferentes nacionalidades apresentando ao público pratos típicos, doces, roupas, acessórios, peças artesanais e produtos que carregavam não apenas a identidade de seus países de origem, mas também histórias de coragem, reconstrução e esperança.

Os refugiados protagonistas da exposição e das vendas, vindos da Colômbia, Angola, Venezuela, República Democrática do Congo, Síria, Nigéria, Irã, Cuba e Líbano, mostraram que o empreendedorismo tem sido uma importante ferramenta de autonomia financeira e inclusão produtiva para quem precisou recomeçar longe de casa.

Além da feira, atividades lúdico-afetivas, shows de música, danças tradicionais e atrações para todas as idades, como confecção de tranças afro, oficina de turbantes e outras vivências culturais, transformaram o espaço em um verdadeiro encontro entre culturas, aproximando brasileiros, migrantes e pessoas refugiadas por meio da arte, da música e da integração social.

Foi justamente essa convivência que deu sentido à proposta do Rio Refugia 2026. Além de conhecer novos sabores e assistir às apresentações culturais, o público teve a oportunidade de conversar com os expositores, ouvir relatos de vida e compreender que, por trás de cada produto exposto, existe uma história marcada por desafios, coragem, superação e esperança.

Para o venezuelano David González, de 35 anos, morador da Zona Norte do Rio de Janeiro, esse é um dos principais diferenciais do evento.

“O Rio Refugia é muito importante porque mostra que refugiados têm muito a contribuir. Aqui, minha cultura, meu trabalho e minha experiência são valorizados. O evento me faz sentir acolhido e fazendo parte da sociedade, além de aproximar refugiados e brasileiros. Na minha opinião, juntos, podemos construir uma cidade mais diversa, humana e cheia de oportunidades.”

Muito além de um festival: um compromisso com a inclusão

A relevância da iniciativa também se evidencia diante do contexto migratório brasileiro.  Dados do ACNUR, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) indicam que o Brasil abriga atualmente mais de dois milhões de migrantes.

Desse total, mais de 165 mil pessoas refugiadas já foram oficialmente reconhecidas pelo governo brasileiro, enquanto dezenas de milhares ainda aguardam a análise de seus pedidos de proteção.

O cenário reforça a importância de iniciativas que promovam acolhimento, integração, geração de renda e combate à xenofobia.

O Rio Refugia consolidou-se como um espaço permanente de diálogo entre instituições públicas, organizações da sociedade civil, empresas e cidadãos comprometidos com a construção de uma sociedade mais inclusiva e plural. 

Ao unir debates, empreendedorismo, cultura e convivência, o projeto demonstra que a diversidade cultural é uma força capaz de transformar territórios, ampliar oportunidades e fortalecer a inclusão social.

Ao final do 1º Fórum Rio Refugia e da 8ª edição do Rio Refugia 2026, ficou evidente que o verdadeiro significado da iniciativa vai além da programação cultural. 

O projeto mostra que, quando o diálogo vence o preconceito e a empatia ocupa o lugar da indiferença, nasce uma sociedade mais humana, onde as pessoas refugiadas deixam de ser vistas apenas pelas perdas que enfrentaram e passam a ser reconhecidas por tudo o que podem construir e oferecer.

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A Coluna da Neuza faz parte do Lupa do Bem, projeto de Responsabilidade Social Corporativa da agência de comunicação Sherlock Communications.

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