‘É um trabalho para a vida inteira’: Educar+ transforma o Complexo do Chapadão

atividades culturais

Gestora do Instituto Educar+, no Rio de Janeiro, Ana Caroline fala sobre os desafios e conquistas da organização, que há oito anos transforma a realidade de crianças, adolescentes e famílias.

O Instituto Educar+, criado no Rio de Janeiro, atua há oito anos no Complexo do Chapadão, na Zona Norte, oferecendo atividades culturais, educacionais e de apoio psicossocial para crianças, adolescentes e famílias da região localizada na zona norte da cidade. À frente da organização, a gestora Ana Caroline compartilhou sua trajetória, os impactos do trabalho no território e os próximos passos da instituição.

“O Educar+ começou com a ideia de montar uma biblioteca comunitária e promover encontros literários”, relembra Ana Caroline. Segundo ela, a literatura foi a primeira ferramenta de transformação social: “A gente acreditava que o livro poderia ser uma porta de entrada para trabalhar temáticas importantes com as crianças. Se eles conseguissem ler de maneira crítica, poderiam superar desafios impostos pela realidade do território”.

Crédito: Divulgação

Com o tempo, novos projetos foram surgindo a partir das necessidades das próprias crianças. “Começamos com iniciativas de leitura, mas percebemos que muitos ainda não sabiam ler. Então criamos o programa de alfabetização. Na alfabetização, notamos dificuldades no desenho, e daí nasceu a oficina de arte. Quando vimos que a expressão artística não era suficiente, trouxemos o audiovisual. Ano que vem, vamos abrir espaço para teatro e dança”, explica.

Essa ampliação trouxe um eixo central que norteia todos os programas: valorizar a identidade das crianças e fortalecer a autoestima. “Nosso objetivo é possibilitar que elas construam novas perspectivas de mundo. A literatura foi o ponto de partida, mas hoje temos projetos gamificados de incentivo à leitura, produção de quadrinhos e poesias, além de iniciativas em tecnologia e cidadania”, conta.

As metodologias inovadoras também ajudam a manter o engajamento. “O celular e as redes sociais tornaram o desafio maior, então buscamos alternativas diferentes da escola. No nosso projeto STEM [sigla em inglês que significa Ciências Naturais, Tecnologia, Engenharia e Matemática] por exemplo, eles aprendem geometria usando ferramentas de design 3D. Já no coletivo Cria, o sistema de recompensas funciona como um jogo e deixa as crianças super animadas”, diz a gestora.

O atendimento, no entanto, não se limita ao público infantil. O Educar+ também desenvolve ações voltadas para as famílias, como o programa Mães da Comunidade, criado no segundo semestre de 2023. “A gente percebeu que se não envolvesse as famílias, não avançaria. Não adianta trabalhar a autoestima de uma criança dentro da instituição se, em casa, ela sofre violência verbal ou é desmotivada”, afirma.

Crédito: Divulgação

Apesar dos desafios, Ana destaca avanços concretos. “Uma adolescente que não olhava nos olhos, falava baixo e sofria bullying hoje já se posiciona, conversa e faz amigos. Esses resultados mostram que o processo é longo, mas possível. É um trabalho para a vida inteira”, ressalta.

As parcerias têm sido fundamentais para ampliar o alcance. Além do apoio de empresas por leis de incentivo, o instituto conta com patrocinadores e colaborações estratégicas. “Não tem como manter toda a estrutura só com voluntariado. Atualmente somos 16 pessoas na equipe, em sua maioria mulheres que moram por aqui. Essa representatividade é essencial para que nosso trabalho faça sentido”, explica.

Entre os parceiros, estão a FIRJAN e o SENAI, que abriram oportunidades de jovem aprendiz para adolescentes da comunidade. “Essa primeira chance de trabalho pode mudar o futuro deles. Nossa ideia é escalar o projeto nos próximos anos”, diz. 

Atividades culturais
Crédito: Divulgação

Ana Caroline lembra, no entanto, que os obstáculos territoriais ainda dificultam a chegada de serviços básicos. “Muitas vezes, instituições não querem atuar aqui por causa da violência. Já aconteceu de projetos de saúde não chegarem nem à rua principal. Isso reforça a importância de termos um espaço seguro e estruturado dentro da comunidade”, comenta.

Para os próximos anos, o Instituto Educar+ tem planos ambiciosos. “Estamos começando a construção de um anexo de 500 m², com salas de dança, teatro, atendimento individualizado e refeitório. Atualmente, as crianças lancharam no corredor. Esse novo espaço vai oferecer mais dignidade e segurança”, celebra.

Ao longo da conversa, Ana reforçou o impacto do projeto: “Nosso maior resultado é garantir que dentro do Educar+ cada criança e adolescente possa ser quem quiser ser. Num território onde, muitas vezes, só dizem que você não pode, a gente abre espaço para o contrário: aqui, você pode”.

Como ajudar o projeto
Você pode contribuir com o Instituto Educar+ de diversas formas. As doações podem ser realizadas diretamente pelo site, onde também é possível se inscrever para o programa de voluntariado que mais combina com você.

Caso prefira, as doações também podem ser feitas por depósito bancário:
Razão Social: Centro Cultural Rita de Cássia
Nome Fantasia: Educar+ (Instituto Educar Mais)
Banco: Itaú (341)
Agência: 8309
Conta Corrente: 46318-3
CNPJ: 38.658.273/0001-09

Ou, se preferir, envie sua contribuição via PIX: contato@educarmais.net

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